20.2.12

Nos Carnavais e nas Causas Sociais, viva Chiquinha Gonzaga



O nome de Chiquinha Gonzaga sempre esteve associado aos carnavais e às referências carnavalescas mais do que qualquer outra coisa, mas é óbvio que o que melhor simboliza a pessoa de Chiquinha Gonzaga é a forte atuação e influência que ela exerceu nas causas sociais; pela expansão dos direitos da mulher que, em sua época, quase que inexistiam.
Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de outubro de 1.847, fruto da relação da escrava Rosa Maria de Lima com seu ‘senhor’ , o Marechal José Basileu Neves Gonzaga que, anos após seu nascimento, viriam a se casar.
Na infância, Chiquinha teve aulas de piano com um professor particular e, já aos 11 anos de idade, estreou seu dom de compositora com a cantiga de Natal “Canção dos pastores”, a primeira de suas tantas composições.   Quando tinha 13 anos seus pais obrigaram-na a se casar com Jacinto Ribeiro do Amaral, um oficial da Marinha Mercante.
Em julho de 1.864, aos 16 anos, Chiquinha deu à luz ao seu primeiro filho, em 1.865 ao segundo e em 1.867 ao terceiro, todos com Jacinto.    Mulher de espírito libertário, Chiquinha não se conformava com a submissão a que seu marido tentava submetê-la, impedindo-a até de tocar piano e, não suportando mais a situação, aos 18 anos separou-se de Jacinto para morar num acampamento em Minas Gerais, juntamente com os três filhos, ao lado do engenheiro ferroviário João Batista.
Sua atitude, contrária à vontade de seu pai, gerou escândalo e contestações.  Algum tempo depois, João e Chiquinha compraram uma fazenda em Minas, onde ela deu à luz ao seu quarto filho, o primeiro com João.
Mesmo apaixonada por João Batista, Chiquinha não admitiu a infidelidade, descoberta tempos depois e, levando os três filhos da primeira relação, retornou ao Rio de Janeiro, sua terra querida.
Sem rumo certo e diante do pedido de abrigo recusado por seu pai, Chiquinha, por intermédio de uma escrava amiga, passou a morar com os filhos num cortiço onde viveria por vários anos.   Para sustentar os filhos passou a dar aulas particulares de piano, canto, francês, geografia, história e português.
Mais tarde, junto com o amigo flautista Joaquim Callado fundou o grupo “Choro Carioca”, onde atuando como pianista, passou a integrar com o grupo o cenário artístico da época em constantes apresentações.
Em 1.877, enquanto fazia alguns improvisos no piano, Chiquinha Gonzaga compôs seu primeiro sucesso, a polca “Atraente” e, daí pra frente não parou mais de compor.
Tendo aprimorado seus conhecimentos no piano com Artur Napoleão (pianista português), Chiquinha nutria grande vontade de incursar seus dons nas artes teatrais, mas, sua primeira peça dançante intitulada “Viagem ao Parnaso”, foi de imediato recusada pelos empresários.      Após novas tentativas, todas frustradas, em 1.885 Chiquinha finalmente conseguiu musicar a opereta “A corte na roça”, encenada no Teatro Príncipe Imperial.
Suas ideias revolucionárias sempre estavam presentes nas composições e mesmo estando permanentemente ligada à música, Chiquinha jamais deixou de atuar corajosamente frente às causas sociais de sua época, especialmente as do Movimento Abolicionista, campanha republicana e às causas feministas.
Integrando a Confederação Libertadora, Chiquinha vendeu muitas de suas partituras para arrecadar dinheiro suficiente para comprar a alforria do escravo músico José Flauta, num grande exemplo de sua luta.
O memorável sucesso “Ô abre alas” Chiquinha compôs em 1.899, dando origem à primeira canção carnavalesca da história.  
No início do século XX passou a viajar pela Europa, tendo residido por três anos em Lisboa (Portugal).
Em 1.912, já de volta ao Brasil, musicou “Forrobodó”, seu maior sucesso na área teatral e, em 1.917, após anos de empenho, Chiquinha liderou a fundação da “Sociedade Brasileira de Autores Teatrais”, a primeira sociedade protetora dos direitos autorais no Brasil.
Sua vasta obra reúne 77 peças teatrais e aproximadamente 2 mil composições musicais dos mais variados estilos.
Chiquinha Gonzaga escreveu sua última composição, intitulada “Maria”, em 1.933 e faleceu no dia 28 de fevereiro de 1.935, aos 87 anos, no Rio de Janeiro.


Texto: Renato Curse               fevereiro de 2.001



(Esse texto foi publicado na edição # 16 do Informativo Mix Cultural, edição de 24 de fevereiro de 2.001)




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