8.5.12

Karl Marx e o Comunismo




As inflamações socioeconômicas e trabalhistas dos séculos XVIII e XIX, deram origem a vários movimentos e organizações políticas denominadas de Esquerda (ou esquerdistas) e, como não poderia deixar de ser, visto pela considerável influência que boa parte das ideias lá abrangidas obtiveram, algumas daquelas doutrinas ainda mantêm-se vivas e presentes, incorporadas, parcialmente absorvidas ou adotadas em muitas outras.
E, falando especificamente da Esquerda política, sobre as ideias que inevitavelmente serviram de herança até para os direitistas, o conjunto filosófico amplamente propagado por Marx (e Engels) na elaboração e criação do Socialismo Científico – ou Comunismo – talvez sejam, nesse contexto, as ideias de maior importância, o que fazem de Marx um dos maiores e mais discutidos filósofos de todos os tempos.
Karl Heinrich Marx nasceu no dia 5 de maio de 1.818, na cidade de Trier, na Renânia (Prússia); filho de pais judaico-alemães, ele iniciou e concluiu os cursos do primário e secundário em sua própria cidade.   
Em 1.835, com a idade de 17 anos, Marx ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Bonn, e, nessa época já havia simpatizado com as ideias liberalistas, tendo atuado e participado, na ocasião, da luta política estudantil.   No ano seguinte, transferido para a Universidade de Berlim, Marx passou a se dedicar aos cursos de História e Filosofia, sendo este último predominado pela doutrina hegeliana (do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel), discutida por um grupo de alunos do professor de teologia Bruno Bauer e do qual Marx também fazia parte.
Em 1.841, aos 23 anos, formou-se em Filosofia na Universidade de Iena, tendo exposto sua tese de doutorado (baseada nas teorias hegelianas) em “A diferença entre a filosofia da natureza de Demócrito e a de Epicuro”.   Como se autodeclarava um opositor ao governo prussiano, Marx não conseguiu classificar-se como professor de filosofia e, com isso, passou a trabalhar como jornalista no Rheinische Zeitung (A Gazeta Renana) na cidade de Colônia, na Alemanha.
Em 1.842 ele assumiu a direção do jornal e, em 1.843, mesmo ano de seu casamento com Jenny Von Westphaten (uma amiga de infância), o governo prussiano ordenou o encerramento do jornal.   Marx então se viu obrigado a exilar-se com sua mulher em Paris, na França, onde em companhia de Arnold Ruge, fundou a revista Annales Franco-Allemandes, para a qual Marx começou a redigir uma série de matérias socialistas.  Na primeira delas, “Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, Marx já salientava: “O poder material só pode ser vencido pelo poder material”.
Em setembro de 1.844, Marx conheceria Friedrich Engels, seu eterno parceiro político e, em 1.845, ao tomar conhecimento das severas críticas de Marx em seu semanário Vorwats, o governo francês decidiu expulsá-lo do país.   Marx, a mulher e Engels fixaram-se em Bruxelas, na Bélgica, onde ele e o amigo escreveram juntos, entre 1.845 e 1.846, os livros Die Heilige Familie (A sagrada família) e Die Deutsche Ideologie (A ideologia alemã), além de vários outros artigos, alguns deles criticando Bruno Bauer e o anarquismo de Proudhon.    Ainda em Bruxelas, Marx fundou uma associação com outros operários, filiando-se à sociedade secreta Liga dos Comunistas, fundada em 1.847.
Ao final de janeiro de 1.848, já na Alemanha, Marx e Engels lançaram o famoso Manifesto do Partido Comunista (Manifest der Kommunistischen Partei) em que expunham as fundamentações do Socialismo Científico e incitavam o povo obreiro à revolução social.   Deste panfleto tornou-se célebre a frase: “Os proletários nada tem a perder a não ser suas algemas. Têm um mundo inteiro a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!”.   Em junho daquele ano, Marx retornou à cidade de Colônia, tornando-se redator-chefe da Nova Gazeta Renana, para a qual escreveu até maio de 1.849, quando então foi novamente obrigado a deixar o país, regressando a Paris, sendo outra vez expulso 2 meses depois.
Em agosto de 1.849, Marx e sua família mudaram-se para Londres (onde ele viveria o resto de sua vida) tendo dedicado boa parte de seu tempo aos estudos pessoais, sustentado financeiramente pelo amigo Engels, que frequentemente enviava-lhe dinheiro.
Entre 1.852 a 1.855 ele escreveu Der 18 Brumaire dês Louis Bonaaparte (O 18.o Brumário de Luis Bonaparte) e, em 1.859, Zur Kritik der politischen Okonomie (Contribuição à crítica da economia política).   Em 1.864, Marx participou da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (a Primeira Internacional) e, em 1.867, lançou o primeiro volume de sua mais famosa obra literária: Das Kapital (O Capital) – os outros dois volumes foram lançados postumamente em 1.885 e 1.894 por Engels.
Na liderança da Primeira Internacional, Marx participou do movimento revolucionário como importante intermediário da Comuna de Paris (em 1.871) onde mais de 20 mil trabalhadores foram mortos por tropas estrangeiras, mas, suas constantes divergências ideológicas com o anarquista Bakunin (a partir de 1.872), acabaram contribuindo para o fim da Primeira Internacional, extinta em 1.876.
A última atividade política de Marx foi em 1.875, durante a fundação do Partido Social Democrata Alemão.

Karl Marx morreu aos 64 anos de idade, no dia 14 de março de 1.883, em Londres, deixando esposa e 6 filhos.


“A exigência de abandonar as ilusões sobre sua condição é a exigência de abandonar uma condição que necessita de ilusões.”  (Karl Marx)


Texto: Renato Curse          junho de 2.001



Veja também:
Matando os falsos heróis esquerdistas

 




(esse texto foi publicado na edição # 31 do Informativo Mix Cultural, de 09 de junho de 2.001)




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