“A sociedade cria as bestas,
se recusa a abrandá-las
para, mais tarde, matá-las!
Outras bestas nascem,
não recebem amparo social;
outras bestas nascem,
tudo fica igual!"
Renato J. Oliveira 01 de julho de 2001





“Uma terceira razão
pela qual devemos amar nossos inimigos é que o amor é a única força capaz de
transformar um inimigo em amigo. Nunca nos livramos de um inimigo livrando-nos
da inimizade. Pela sua própria natureza, o ódio destrói e causa separação; pela
sua própria natureza, o amor cria e constrói. O amor transforma com sua força
redentora.”
Em 12 de junho de 1.942, Anne
Frank completava 13 anos de idade e, naquele aniversário, a menina filha de
judeus, ganhou de presente um diário. Talvez até despretensiosamente, Anne,
assim como muitas meninas da sua idade, começou a preencher seu diário com
relatos pessoais do cotidiano.
Até aí, tudo seria
perfeitamente normal, mas, o diário de Anne Frank, quando foi divulgado para o mundo, trouxe os relatos dos tristes acontecimentos da Segunda Guerra mundial, a cruel perseguição dos
nazistas contra os judeus, os negros, os deficientes, os homossexuais e outras
minorias classiais. Ela certamente nunca imaginou que seu diário teria tanta repercussão.
Na noite de 8 de julho de
Dois anos se passaram e em
1.o de agosto de 1.944, Anne escreveu em seu diário pela última vez. Três dias depois a polícia conseguiu
localizar o anexo secreto, capturando a família Frank e mais 4 pessoas que
também ali se escondiam. Ninguém teve tempo ou chance de fugir. Da Holanda foram levados à Alemanha, em
Auschwitz (campo de concentração nazista), onde os homens foram separados das
mulheres. Anne e sua irmã foram
enviadas à Bergen-Belsen onde contraíram tifo e morreram em dias diferentes de
março de 1.945, dois meses antes da Alemanha nazista se render, deixando o
trágico saldo de 6 milhões de judeus exterminados!
O pai de Anne Frank foi o
único sobrevivente do esconderijo, mas sua filha, a menina que comoveu o mundo
com seu diário, tornou-se um exemplo de esperança e perseverança. Estará sempre viva na memória desta página
tão sombria da história, uma das maiores carnificinas do século passado,
mostrando-nos o quanto o ser humano pode ser perverso e assassino quando se
desvirtua dos nobres ideais: o amor e o respeito a seus semelhantes,
independentemente de cor, raça, religião, opção sexual ou posturas.
“Compreendo mal aquele que
diz ‘sou fraco’ e permanece fraco. Se temos consciência dessa fraqueza, por que
não ir contra a corrente e corrigir esta deficiência?”
Elvis Aaron Presley nasceu na cidade de East Tupelo (East
Tupelo seria agregada mais tarde à cidade de Tupelo, formando assim uma única
cidade), no estado do Mississippi, no dia 8 de janeiro de 1935, único
sobrevivente ao parto de gêmeos univitelinos. Seu irmão, Jessie Garon, nasceu
morto. Na pequena cidade do interior dos Estados Unidos, ele aprendeu com a mãe
e o pai a ser respeitoso, independentemente de aspectos de qualquer ordem, quer
étnicos, sexuais e/ou sócio-económico-financeiros. Nos seus primeiros anos de
vida, cresceu em meio aos destroços de um furacão que devastou sua cidade no
dia 5 de abril de 1936. Esse triste fato ocasionou, mesmo o estado do
Mississipi sendo na época um centro do racismo americano, uma união entre
brancos e negros, que deixaram de lado por algum tempo, o conflito racial, tudo
em prol da reconstrução da cidade. Em parte de sua primeira infância, esteve
privado da figura do pai, preso em 1937, juntamente com o irmão de Gladys,
devido a estelionato. Somando-se a isso, a família foi despejada da sua
moradia, portanto, Gladys e Elvis tiveram que se mudar e acabaram por ir morar
com os pais de Vernon. Vernon seria libertado no ano de 1941. Em 1945, Elvis
participou num concurso de novos talentos na "Feira Mississippi-Alabama",
onde conquistou o segundo lugar e o prêmio de 5 dólares, mais ingressos para
todas as diversões. Elvis, na ocasião, cantou Old Shep, canção que retrata o
desespero de um menino pela perda de seu cão. No mesmo ano, o seu pai
presenteou-o com um violão, que passou a ser a sua companhia constante,
inclusive na escola. Elvis e a família mudaram-se para Memphis no dia 12 de
setembro de
Em 18 de Julho de 1953 e posteriormente em 4 de Janeiro, 5
de Junho e 26 de Junho de 1954, Elvis grava algumas canções de forma
experimental, no "Memphis Recording Service", filial da Sun Records.
No dia 7 de Julho as duas canções são executadas pela
primeira vez numa rádio de Memphis, o resultado é um sucesso absoluto. Devido a
toda essa repercussão, Elvis é convidado a dar uma entrevista, sua primeira
como cantor profissional. A canção "Blue Moon Of Kentucky" chega ao
primeiro lugar na parada country da Billboard na cidade de Memphis e
"That's All Right" atinge o quarto lugar da mesma parada. Já no dia
17 de Julho ele realiza o seu primeiro espetáculo na cidade de Memphis, em 2 de
Outubro ele faz seu primeiro espetáculo fora de Memphis, a cidade escolhida foi
a capital do Country, Nashville. Em 8 de Outubro, Elvis faz sua primeira
apresentação fora do estado do Tennessee, a cidade escolhida é Atlanta na
Geórgia. No dia 16 do mesmo mês Elvis tem provavelmente o seu primeiro grande
momento na carreira, ele realiza na cidade de Shreveport no estado da Louisiana
um espetáculo que era transmitido pela rádio local de enorme sucesso na época
chamado "Louisiana Hayride", onde foi recebido de forma bastante
entusiasmada pela plateia. O ano de 1955 pode ser avaliado como a génese do
sucesso nacional de Elvis. Além das inúmeras polémicas em torno das suas
apresentações. Somando-se a isso, as suas performances em programas de rádio e
algumas apresentações em programas locais de televisão, onde ele se destaca. As
suas canções começam a fazer sucesso nacionalmente, "Mystery
Train" chega ao 11º lugar na parada nacional country da Billboard,
"Baby, Let's Play House" atinge o 5º posto na mesma parada, até
culminar com a primeira canção "número um" nos charts nacionais,
canção denominada "I Forgot To Remember To Forget". Neste mesmo ano
ele conheceria o seu empresário Tom Parker, que agenciaria sua carreira ao
longo de sua vida. Apesar dos múltiplos rumores, dos quais o próprio Elvis fora
sabedor, apenas nos anos 80 revelou-se, publicamente, seu verdadeiro nome e
nacionalidade. Parker recebera título-honorário, seu verdadeiro nome era
Andreas Cornelius van Kuijk, oriundo da Holanda e nascido em
Em 1956, Elvis tornou-se uma sensação internacional. Com um
som e estilo que, uníssonos, sintetizavam suas diversas influências, ameaçavam
a sociedade conservadora e repressiva da época e desafiavam os preconceitos
múltiplos daqueles idos, Elvis fundou uma nova era e estética em música e
cultura populares, consideradas, hoje, "cults" e primordiais,
mundialmente. Suas canções e álbuns transformam-se em enormes sucessos e
alavancaram vendas recordes em todo o mundo. Elvis tornou-se o primeiro
"mega star" da música popular, inclusive em termos de marketing.
Muitos postulam que essa revolução chamada rock, da qual Elvis foi emblemático,
teria sido a última grande revolução cultural do século XX; já que, as bandas,
cantores e compositores que surgiram nas décadas seguintes - e fizeram muito
sucesso, foram influenciados, de alguma maneira, direta ou indiretamente por
Elvis. O que pode ser considerado verdade. O preço do pioneirismo
transformador, entretanto, é altíssimo. Elvis foi implacavelmente perseguido
pelos múltiplos segmentos reacionários estadunidenses e por todas as etnias. Os
brancos, preconceituosos burgueses representantes da classe dominante,
achavam-no vulgar, enquanto representante de uma estética popular, cuja
interface negra - o rock, "filho" também do R&B - era uma música
de negros e para negros e, por isso, considerada "menor" por aquele
grupo dominante. Já os negros, achavam que por ser uma música de origem negra,
nenhum branco deveria representá-la e divulgá-la, mormente para um faturamento
que sempre lhes fora negado. Elvis, em verdade, foi perseguido e tornou-se vítima
de muitos preconceitos por ir de encontro a um sistema estabelecido e quiçá por
ter origens humildes, um "caipira sulista", fato pelo qual ele sempre
foi discriminado.
Em março de 1960, Elvis retornou da Alemanha e surpreendeu o
mundo ao aceitar o convite para participar do programa de Frank Sinatra,
"The Frank Sinatra Show - The Timex Special", realizando uma de suas
melhores performances televisivas. Selou, a partir de então, uma relação de
cordialidade com seu anfitrião e com Sammy Davis, Jr. - com quem, inclusive,
ensaiou os números de orquestra -, que perduraria ao longo de sua vida. O
programa bateu todos os recordes de audiência do ano, inserindo Elvis em um
nova faixa de público e apresentado pela "Rat Pack", naquele momento,
contava com grande prestígio, razão pela qual o astuto empresário Tom Parker o
garimpara. No cinema, Elvis Presley contou com a sensível direção do veterano
Don Siegel no filme Flaming Star, um novo reconhecimento da crítica, virando um
de seus mais bem sucedidos filmes em qualidade, ainda que tenha, curiosamente,
desapontado seu público, à época, exigente de películas apenas histriônicas. No
mesmo ano de 1960, Elvis novamente surpreende e lança um álbum gospel,
contrariando o seu empresário e os proprietários da gravadora, que não viam com
bons olhos um trabalho nesse gênero musical, entretanto, seguindo seu instinto
e de certa forma querendo homenagear sua mãe, ele participa de toda a parte de
produção e no final do ano o álbum é lançado tornando-se um grande sucesso de
público e crítica. Já em 1961, Elvis realizou shows em Memphis (2) e no Hawaii
com grande sucesso de crítica e público. O show havaiano, beneficente,
concordam seus seguidores mais iniciados e alguns críticos, tornou-se
emblemático de apresentações clássicas, no gênero, no show-business. No mesmo
ano, Elvis foi homenageado com o "Dia Elvis Presley", tanto na cidade
de Memphis como no estado do Tennessee. Elvis provava que sua ida ao Exército e
o fim da década de 50 não abalaria seu sucesso e que alguns de seus álbuns na
década de 60 tornariam-se clássicos, sendo avaliados como alguns dos melhores
de sua carreira.
No período de 1960 até 1965, os seus filmes são um grande
sucesso de público no mundo inteiro. Alguns críticos mais generosos, ainda que
implacáveis acerca da qualidade duvidosa das películas, clamavam por melhores
oportunidades e personagens para Elvis Presley que, entretanto, envolvido em
uma ciranda mercadológica, não se dispunha a aprender o ofício e frequentar
Escolas de Artes Cênicas confiáveis, para aprimorar-se no ofício - a exemplo de
Marlon Brando, e muitos outros. Ainda assim, sua versatilidade esteve presente
e vários gêneros foram visitados, sendo elogiado por algumas de suas
performances, mesmo os roteiros não sendo avaliados como satisfatórios, ou
seja, ele fazia a sua parte com méritos, mesmo não possuindo material de
qualidade - entre os gêneros apresentados em seus filmes podem ser destacados,
"musical", "faroeste", "drama" e
"comédia" - os maiores e melhores destaques nesse período foram, Flaming
Star (1960), Wild In The Country (1961), Follow That Dream (1962), Kid Galahad
(1962), Fun in Acapulco (1963), Viva Las Vegas (1964), Roustabout (1964). A
partir de 65, seus filmes e trilhas-sonoras perderam qualidade drasticamente,
configurando período de grande alienação e tédio pessoal para o artista.
Durante as filmagens de "Viva Las Vegas", em 1963, os protagonistas,
Elvis e Ann-Margret, sueca de beleza estonteante, apaixonaram-se intensamente;
o que legou bons resultados ao produto final. E muita especulação na mídia. O
filme "Viva Las Vegas" é considerado um de seus melhores momentos no
cinema, sendo muito elogiado até os dias atuais.
Apesar da fase de pouca qualidade em seus filmes e
respectivas trilhas-sonoras, o ano de 1967 será lembrado pelo lançamento do
disco que seria considerado um "divisor de águas" na carreira de Elvis,
o gospel How Great Thou Art; decorrente de radical mudança em sua produção
musical. O álbum surpreendeu o mundo, gradativamente, transformou-se em um
grande sucesso de crítica e público; sendo, posteriormente, agraciado com um
honroso Grammy, o Oscar da música. De alguma forma, o fonograma - de grande
qualidade - e seus resultados, aguçou e excitou musicistas, produtores, fãs e o
grande público. Bem produzido e com peças esmeradas, Elvis Presley dera
indícios de sua vitalidade e criatividade, ainda em franca ascensão e plena
maturidade musical. Fundou-se, portanto, um tempo de bons arranjos e melhor
seleção musical. Ocorreram profundas mudanças em seus tons, na própria
tessitura vocal e, consequentemente, em seus registros. Gradativamente, a
própria extensão seria privilegiada, com comprometimento da afinação.
No mesmo
ano, Elvis Presley finalmente casou-se com Priscilla Beaulieu, já residente em
Graceland, Memphis, desde meados da década, o matrimônio foi realizado na
cidade de Las Vegas. Nesse período, entre 1967 e 1968, foram lançados alguns
compactos muito elogiados; realmente, enormemente criativos e interessantes -
goste-se ou não de Elvis Presley, reconhecerão seus ouvintes. Tudo devido as
sessões de gravação ocorridas ainda em 1966, mais precisamente em maio e junho,
onde o repertório foi sendo aprimorado qualitativamente, gerando além do álbum
"How Great Thou Art", outras canções de bom nível como
"Indescribably Blue", "I'll Remember You" e "If Every
Day Was Like Christmas". O mesmo pode ser percebido em 1967 em canções
como "Suppose", "Guitar Man", "Big Boss Man",
"Singing Tree", "Mine", "You'll Never Walk
Alone". No período de 66/67, Elvis realiza várias sessões caseiras, onde
ele interpreta várias canções de vários estilos e épocas distintas, mostrando
um talento intuitivo e natural, no entanto, essas gravações só caíram no
conhecimento do público, em sua grande maioria, no final da década de 1990. Em
1 de fevereiro de 1968 nasce a sua primeira e única filha: Lisa Marie Presley.
Em 28 de Junho de 1968 começou a gravação de um especial que
seria lançado em dezembro de 1968, especialmente para o Natal, Presley gravaria
por 3 dias seguidos, quatro shows, dois sentado com a antiga banda em 28 e em
29 gravaria mais dois shows, agora sem a sua banda, sozinho no palco. Dia 30,
último dia de gravações, Presley cantou algumas canções atuando. Elvis Presley
apresentou-se nacionalmente para a televisão estadunidense, o Elvis NBC TV
Special; em um mega-programa que, a posteriori, seria considerado o primeiro
acústico da história. Em performance considerada até os dias atuais como
magistral, Presley foi aclamado pelo público e crítica especializada. Coronel
Tom Parker, lendário empresário do artista, vislumbrara um programa piegas,
tradicional e conservador, no entanto, devido a grande empatia estabelecida
entre Presley e o então jovem produtor Steve Binder, realizou-se um espetáculo
contundente e ousado; inclusive com cenas interditadas pela "Censura
Federal" daqueles idos. Neste especial, que foi ao ar poucos meses depois
da morte de Martin Luther King, assassinado em abril na cidade de Memphis, e
por isso mesmo no auge do racismo, Elvis apareceu ao lado do grupo vocal
chamado "The Blossoms", grupo que era composto por três mulheres
negras (Fanita James, Jean King, Darlene Love) no horário nobre, fato que
causou uma grande polêmica. Um trabalho reconhecidamente antológico e pioneiro.
Foram apresentados clássicos dos anos 50, algumas canções da década de 1960 e,
ainda outras, inéditas. "Tiger Man" (lançada no disco Elvis Sings
Flaming Star), "Baby, What You Want Me To Do", "Up Above My
Head", "Nothingville", "If I Can Dream",
"Memories" e "Saved", estiveram no roteiro, de um programa
dividido em sets; entre "jam sessions" eletrizantes e performances
clássicas em cenários monumentais e arranjos grandiosos - elaborados pela
competente orquestra da NBC. Elvis Presley atingira maturidade artística.
No ano de 1969, Elvis retornou aos palcos, após 8 anos de
afastamento voluntário do contato direto com o público. O lugar escolhido foi
Las Vegas, onde passou a realizar várias temporadas anuais regularmente;
aclamadas pela crítica e público. Vegas, seria, em verdade, sua grande escola.
Elvis não fora "crooner", não passara anos a fio cantando na noite e
saíra do anonimato para o esplendor em muito pouco tempo. Nos anos 50, suas
apresentações explosivas eram, em verdade, espontâneas e intuitivas; tão
fascinantes como, de certa forma, ingênuas e amadoras. Pois, a partir deste
1969, Elvis Presley amadureceria sua performance e tornar-se-ia um cantor
experiente e com domínio cênico, além de ser avaliado como fantástico pela
crítica da época, além de profissional e exuberante. E excêntrico, com suas
roupas ainda mais extravagantes e estilizadas. O ano de 1969 também seria
marcado por sessões de gravação muito produtivas e pela escolha de um
repertório e equipe musical de grande qualidade. A resposta foi imediata:
"Suspicious Minds", "In the Ghetto" e "Don't Cry Daddy"
tornam-se "big hits" em todo o mundo. Por razões contratuais,
concluiu seus últimos filmes de ficcção, que pouco interesse despertaram,
tampouco a um Elvis reinventado em criatividade, vigor e emoção.
O ano de 1970 denotou um grande amadurecimento cênico e
vocal de Elvis Presley, em relação ao anterior. Novas temporadas em Las Vegas
ocorreram, com mudanças radicais em repertório - mais versátil e atualizado
para aqueles dias -; shows avaliados como eletrizantes, tanto pela crítica como
pelo público, porém com roteiros mais elaborados. Muitas dessas apresentações
foram gravadas e deram origem a discos como "On Stage". Pela primeira
vez no mundo, um artista prescindia de seu nome na capa - no original. Um novo
marco! Apesar do grande sucesso, segmentos da crítica e dos estudiosos do
show-business temiam que a rotina de espetáculos em Vegas, terra de pouca
inventividade, pudessem tornar Elvis alienado e desmotivado, o que
definitivamente não ocorreu. No mesmo ano, após seu retorno às apresentações ao
vivo, Parker e Presley iniciaram uma série de grandes espetáculos históricos e
considerados magistrais, mesmo na época de sua realização; e inventaram,
gradativamente, uma nova concepção de shows: as "mega-tours". Presley
fez 6 shows no Astrodome, em Houston, onde quebrou todos os recordes de
público, reunindo 43.000 pagantes na quarta apresentação. Um recorde impensável
para aqueles idos!
No mesmo ano de 1970, Elvis surpreendeu o show-business com
a realização do documentário That's The Way It Is, filmado nos meses de julho e
agosto, com cenas de estúdio e ao vivo; lançado no final do ano nos Estados
Unidos - e, no ano seguinte, no Brasil. A película foi recebida com sucesso
estrondoso, particularmente no Japão, onde quebrou recordes de público, com
filas intermináveis. Tornou-se um mega-sucesso, dirigida pelo então jovem e
talentoso diretor Dennis Sanders; com quem, entretanto, Elvis não chegou a
estabelecer uma relação confortável. Elvis tornara-se um artista maduro e um
"entertainer" cativante, para vários públicos. O karatê, uma de suas
paixões, passou a ocupar ainda mais espaço cênico em suas coreografias. No
final do ano, Elvis encontrou o Presidente Richard Nixon, em episódio insólito
e controvertido biograficamente. Em 1971, Elvis foi agraciado com duas
importantes premiações, a primeira logo em janeiro, se referia ao prêmio
concedido pela "Câmara Júnior de Comércio Estadunidense" em relação
as dez pessoas mais importantes da américa em 1970. Seguindo-se a isso o prêmio
denominado Grammy Lifetime Achievement Award, uma espécie de "conjunto da
obra", foi concedido pelo Grammy ao rei da Guitarra Elétrica.
Nesta época, Elvis e Priscilla sofriam uma crise no casamento.
Ela reclamava que ele estava muito distante dela por causa de seus shows, além
de existirem casos de infidelidade dos dois lados. Tudo isso causou, em
fevereiro de 1972, o fim de seu casamento, ainda de maneira informal,
causando-lhe imenso impacto e progressivo transtorno pessoal. Em janeiro de
1973, ele pede o divórcio definitivo. Ironicamente, Elvis viveu um ano triunfal
profissionalmente, retornando, glorificado, ao primeiro lugar das paradas
mundiais de sucesso com a canção "Burning Love".
Apesar de estar mergulhado em problemas pessoais e de saúde,
mas no auge como artista, em 14 de janeiro de 1973, Elvis Presley realizou o
primeiro show via satélite do mundo, transmitido, ao vivo, para muitos países -
inclusive o Brasil, pela Rede Tupi - e, posteriormente, para quase todo o
planeta. O especial, Aloha from Hawaii, foi assistido por aproximadamente 14
milhões de telespectadores - número surpreendente para aqueles dias. Nos
Estados Unidos, sucesso estrondoso, foi ao ar em abril de 1973, tendo recebido
o seguinte comentário no editorial do jornal The New York Times: "Elvis
superou sua própria lenda!" No Brasil, foi ao ar novamente em abril do ano
seguinte, 1974, com grande êxito. O álbum duplo, inaugural do sistema "quadrafônico",
uma espécie de ancestral do "home theater", foi imediatamente
colocado no mercado, atingindo rapidamente o marco de 1 milhão de cópias
vendidas.
Apesar do aumento dos problemas pessoais e uma crescente
piora em sua saúde com o visível aumento de peso, Elvis consegue empolgar em
muitos de seus shows a partir de 1974, seus espetáculos foram se transformando,
onde era priorizado a qualidade e grandiosidade das canções e sua voz que
atingia cada vez mais o seu auge. O ano de 1974, artisticamente, foi deveras
criativo para Elvis Presley e poderia ter se tornado a pedra fundamental para
uma nova grande guinada em sua carreira e vida pessoal, o que aconteceria em
parte, especialmente em alguns espetáculos em Las Vegas, onde Elvis inovou em
seu repertório, bem como em seus trajes, bastante distintos em relação aos
usados na época; Após 13 anos ausente dos palcos de Memphis, sua residência,
neste 1974 Elvis voltou a apresentar-se na cidade, triunfalmente. O show do dia
20 de março foi gravado, garantindo-lhe novo Grammy pela performance de
"How Great Thou Art", um clássico do cancioneiro religioso. Até hoje,
o feito expressivo é referenciado como de grande relevância em sua carreira,
por fãs e interessados em música e sua história. Enormemente insatisfeito com
os rumos dados à carreira por seu empresário Tom Parker - repertório,
gravadora, Las Vegas, recusas de bons roteiros cinematográficos -, Elvis chegou
a demiti-lo mas, posteriormente, indiretamente desautorizado por familiares -
desinteressados no rompimento -, voltou atrás; muito frustrado e insatisfeito.
Ainda no ano de 1974, Elvis voltou a se apresentar no
Astrodome, de Houston, estádio monumental, jamais contemplado com tal magnitude
de um espetáculo de música popular. Novos recordes foram quebrados, superiores
aos próprios, de 1970. Em um segundo show, 44.175 pagantes foram
contabilizados; público até então inimaginável para um concerto de um único
artista. Além de Houston, realizou shows históricos em Los Angeles, no mês de
maio; prestigiado inclusive por artistas e bandas das novas gerações, então no
auge, como um eufórico e entusiasmado Led Zeppelin. Uma única sessão de
gravação foi realizada no ano seguinte, 1975, quando, no último dia do ano,
Elvis Presley quebrou novo recorde de público para um artista solo até então,
apresentando-se para 62 mil pessoas. Segmento de seus biógrafos afirmam que
este seria seu último ano primoroso artisticamente; Elvis realiza shows
históricos em sua carreira, sendo elogiado por todos, propiciando o seguinte
comentário do jornal The New York Times: "Cada vez mais Presley melhora
sua voz atingindo excelentes notas vocais. Ele ainda é o rei nos palcos.",
referindo-se aos shows de "Uniondale" no condado de Nassau no estado
de Nova Iorque. Muitos afirmam que os alguns dos melhores shows de Elvis em
toda a carreira foram realizados em 1975. No mesmo período são lançados
dois dos melhores álbuns de Elvis na década de 70, Elvis Today e Promised Land.
Entretanto, pessoalmente, seus percalços se somavam gradativamente. Em 1976,
ano em que realizou mais de 100 mega-espetáculos, Elvis voltou a apresentar-se
no último dia do ano, na cidade de Pittsburgh; reconhecido pela crítica e
público como um dos seus últimos grandes espetáculos de qualidade; para os fãs,
antológico! Elvis Presley subiu aos palcos regularmente, de forma sofrível, ao
longo dos seis primeiros meses de 1977, com a saúde visivelmente deteriorada.
No mês de junho, teve espetáculos filmados pela rede de televisão CBS,
vislumbrando um vindouro mega-especial, a ser levado ao ar em cadeia nacional
oportunamente.
Na noite de 15 de Agosto Elvis vai ao dentista por volta das
11:00 da noite, algo muito comum para ele. De madrugada ele volta a Graceland,
joga um pouco de tênis e toca algumas canções ao piano, indo dormir por volta
das 4 ou 5 da madrugada do dia 16 de agosto. Por volta das 10 horas Elvis teria
levantado para ler no banheiro, o que aconteceu desse ponto até por volta das
duas horas da tarde é um mistério. O desenlace ocorreu, possivelmente, no final
da manhã, no banheiro de sua suite, na mansão Graceland, na cidade de Memphis,
no Tennessee. Os fatores predisponentes sistêmicos, os hábitos cotidianos e as
circunstâncias que culminaram com a morte de Elvis Presley, são dos pontos mais
polêmicos e controvertidos entre seus biografos e fãs. Elvis só foi encontrado
morto no horário das duas horas da tarde por sua namorada na época, Ginger
Alden. Logo após, o seu corpo é levado ao hospital "Memorial Batista"
e sua morte confirmada.
Depois de seu falecimento, vários acontecimentos tornaram
Elvis Presley ainda mais famoso e até, segundo alguns, memorável;
consequentemente, mais pessoas tornaram-se fãs de sua obra. Posto o ídolo,
inaugurou-se o mito, eterno, redentor e fonte inesgotável de idealizações. Seu
sucesso foi, e ainda é, astronômico! Em 1979 foi realizado o primeiro filme biográfico,
para a TV, chamado "Elvis"; no Brasil, intitulado "Elvis Não
Morreu", interpretado por Kurt Russell. Em 1981, produziu-se um
documentário, avaliado como excelente, denominado This is Elvis; no Brasil,
"Elvis o Ídolo Imortal". No ano seguinte, abriu-se ao público, ainda
em caráter bastante amador, a mansão Graceland; ainda habitada por alguns
parentes. No ano de 1984, Elvis Presley foi homenageado pela fundação do blues
e pela academia de música country. Posteriormente, em 1985, lançou-se com enorme
sucesso, sendo considerado pela crítica da época como ótimo, o livro
"Elvis e Eu", escrito por Priscilla Presley e Sandra Harmon; que
seria transformado, em 1988, em filme para a TV, também muito bem sucedido.
Passado o impacto de sua morte, os primeiros anos da década de 1980 foram de
relativa obscuridade para Elvis Presley. O livro de Priscilla foi um importante
"divisor de águas" para dias mais prósperos. Prosseguindo com as
homenagens, em 1986, Elvis entrou para o hall da fama do rock, na categoria de
sócio - fundador. Em
Inicialmente pensado para dezembro, o programa especial
Elvis in Concert foi levado ao ar em outubro e registrou uma das maiores
audiências da história da rede americana CBS. Ainda que portador de imagens
constrangedoras de sua fisionomia e condições físicas, o programa mostrou-nos
um profissional despojado e empenhado em tentar superar-se e apresentar-se da
melhor forma possível. Entretanto, o que poderia ter sido uma catástrofe para a
sua carreira em vida, emocionou um mundo saudoso e agradecido. Musicalmente, o
programa mostrou um Elvis Presley apegado ao seu maior trunfo, sua verve de
grande intérprete e, munido de maturidade e extensão vocal surpreendente, mais
uma vez impactou a todos com a profundidade e eloquência de suas
interpretações, mais uma vez revolucionárias. Até agosto de 1977, Elvis vendera
100 milhões de discos, entre 150 álbuns e singles; superior a qualquer outro
artista. Até 2005, estima-se por volta de 100 milhões de exemplares, recorde
absoluto, coroado com centenas de discos de ouro, platina e, mais recentemente,
multi-platina. Entre seus muitos prêmios, estão 14 indicações ao Grammy, com 3
premiações; cabe destacar, justíssimas; mormente se considerarmos os prêmios
anteriormente não outorgados, possivelmente, por preconceito. E segundo alguns,
porque Elvis Presley foi um artista popular, um sujeito - desde sempre - a
frente do seu tempo; inserido em uma engrenagem sócio-histórica-cultural
bastante complexa, e para os mesmos, não é pouca coisa.
Nos dias atuais, Elvis é considerado por seus fãs, assim
como alguns especialistas, e até nomeado por algumas pesquisas, como um dos
melhores cantores populares do século XX, sua voz, reconhecem os especialistas,
era poderosa e possuía um timbre destacado, principalmente a partir da metade
dos anos 60, era detentor de uma surpreendente musicalidade, cantando em vários
ritmos e, em algumas oportunidades, em outros idiomas - quer alemão, espanhol e
italiano - além de uma rara capacidade interpretativa; toda essa avaliação em
torno da voz de Elvis deve-se em grande parte a análise por parte das pessoas
que gozam de uma certa noção do melhor de cada cantor, ou seja, o auge da
carreira de cada um desses artistas, e até mesmo a comparação das versões de
canções interpretadas por quase todos os cantores, como exemplo podemos citar
os clássicos "My Way", "Danny Boy", "Impossible
Dream", "You'll Never Walk Alone", entre outras. Barítono,
fez-se, com méritos, baixo (voz grave masculina) e tenor, em algumas
oportunidades. Indiscutível é sua versatilidade e potência vocal:
possivelmente, jamais houve um cantor tão eclético ritmicamente! Na contemporaneidade,
parte da indústria fonográfica, ao visitar sua biografia, o reconhece,
inclusive, como bom produtor musical, além de arranjador; Elvis, como já
comprovado pelas biografias lançadas, (hoje podemos ver também vários de seus
ensaios com seus músicos em vídeos)sua atuação/participação nos [arranjos]
andamento (ritmo que a música deveria ter), arranjos vocais, instrumentais etc;
e nos discos que retratam o seu trabalho em estúdio, participava efectivamente
das principais e mais elogiadas obras em estúdio de sua discografia. Elvis, ao
contrário de nomes como Beatles e Michael Jackson, nunca dispôs da companhia de
grandes produtores musicais, os produtores de Elvis são avaliados como
regulares e em alguns momentos como de bom nível, mas nada comparado a produtores
como Quincy Jones, George Martin, Phil Spector, entre outros, que de certa
forma auxiliaram intensamente a carreira de nomes como Beatles, Michael Jackson
e a até mesmo o início da carreira solo dos ex-beatles e que grande parcela do
sucesso e reconhecimento no auge das respectivas carreiras dos artistas já
mencionados, foram graças a seus produtores; igualmente, sobretudo os mais
entusiasmados, é reputado como um instrumentista virtuoso. Já como ator, fez o
que lha cabia, com profissionalismo e, em algumas oportunidades, conquistou
reconhecimento por seu empenho e até mesmo, talento.
Elvis dispunha de um registo vocal muito flexível e eclético
para quem nunca teve aulas de canto ou mesmo ensino teórico convencional.
Elvis, barítono, conseguia atingir 3 oitavas e, por vezes, atingir o registo
vocal de tenores e baixos, talvez, devido a esses fatores, muitos conhecedores
de sua obra, fãs propriamente, chamam-no de A Voz.