11.4.12

Outros Versos...

"ÉBRIA  PAIXÃO"
No boteco, na rua, na praça,
distorcida visão da cachaça,
nicotina virando fumaça,
só a garrafa o ébrio abraça.

Renato J. Oliveira          junho/2001
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"QUEM SE ACOVARDA NA DIFICULDADE
E NÃO SE ESFORÇA PARA UMA SOLUÇÃO,
CAI NOS ARES DA COMODIDADE,
OBSCURIDADE E DEPRESSÃO!"

Renato J. Oliveira      fevereiro/2001 
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"PIEDADE  AOS  OTÁRIOS
DE  GRANDE  FORÇA  E  MENTE  PEQUENA
QUE  SERVEM-SE  DE  ESCRAVOS
À  COVARDIA  QUE  OS  ALIENA"

Renato J. Oliveira       abril/2001
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"NESTE MUNDO LOUCO,
CHEIO DE SELVAGERIA,
NÃO DESEJO MUITO,
SÓ UM POUCO;
UM POUCO DE AMOR TODO DIA"

Renato J. Oliveira           junho/2001
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EM VÃO...

Poetas tentarão
sempre em vão,
com toda assídua veemência
encontrar convincente explicação
para o AMOR,  em sua essência...

Renato J. Oliveira                    outubro de 2.000
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“Entenda-se com o coração,
Enxergue-se sem o seu ego,
Desapegue-se da ilusão
E pare de agir como um cego.”


Renato J. Oliveira                 29. julho. 2001
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10.4.12

Gentileza, o Profeta do Amor



Num mundo onde muitas pessoas se entretêm com a maldade e a perversão, o que levaria uma pessoa a dedicar boa parte de sua vida às pregações da bondade e do amor, sem nunca pedir nada em troca?
Buscando compreender melhor essa questão, vamos prestar uma homenagem a uma figura que certamente fez jus ao pseudônimo de “Gentileza, o profeta do amor”.

Nascido em 11 de abril de 1.917, no município de Cafelândia, interior de São Paulo, José Datrino, aos 20 anos mudou-se para o Rio de Janeiro buscando uma vida nova.
Com muita luta e determinação, lá conseguiu formar sua família e fundou uma empresa de transporte de cargas, tornando-se proprietário de um razoável patrimônio: uma casa, três terrenos e três caminhões. Até aí então, era simplesmente o pequeno empresário José Datrino.
Porém, quando tinha 44 anos, no dia 17 de dezembro de 1.961, uma tragédia mudaria radicalmente sua vida e seus conceitos, mesmo ele próprio não tendo ligação direta com a mesma: um grande incêndio no Gran Circus Norte-americano, na cidade de Niterói (RJ), onde mais de 300 pessoas morreram.   Tomado por grande comoção, Datrino simplesmente abandonou e deixou tudo.   Passou a usar o nome de Jozzé Agradecido, ou, Gentileza, e saiu buscando consolar as famílias das vítimas daquele incêndio.
A princípio, Gentileza perambulava em sua peregrinação nas ruas de Niterói levando palavras de amor e de fé e, mais tarde, já usando uma túnica branca e tábuas de profeta, começou a perambular também pelo Rio de Janeiro.
Além de fazer suas pregações, Gentileza distribuía rosas brancas dizendo: “Gentileza gera gentileza” e sempre era visto em grandes acontecimentos.
Criou sua própria linguagem (baseada na Santíssima Trindade), onde algumas letras se repetiam; por exemplo, amor ele escrevia com três erres: AMORRR, e, justificava que ‘amor material se escreve com um erre, mas o amor universal com três: um do pai, um do Filho e um do Espírito Santo’.
Usando desta linguagem, Gentileza esculpiu 55 das pilastras que sustentam o Viaduto do Caju, ao lado da rodoviária, no Rio de janeiro, sempre com mensagens que falavam de Deus, Amor, natureza...
Após anos e anos de pregação, aos 76 anos, já sentindo o peso da idade, Gentileza fraturou a perna após uma queda e isso, inevitavelmente, minimizou sua peregrinação.
Em 1.996 mudou-se para Mirandópolis, cidade próxima à sua terra natal, onde morreu no dia 29 de maio, aos 79 anos de idade, deixando-nos a sábia lição de que nada é em vão quando se tem amor e gentileza no coração.


Texto: Renato J. Oliveira           dezembro de 2.000



(Esse texto foi publicado na edição # 09 do Informativo Mix Cultural, edição de 06 de janeiro de 2.001)






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Em 2.000, a cantora Marisa Monte homenageou o 
Profeta Gentileza, na canção "Gentileza", do álbum 
"Memórias, crônicas e declarações de amor".
Veja o clip abaixo:





8.4.12

Verdades e Mentiras (sobre a música de Sá & Guarabyra)



Quem já foi vitimado ou afetado por alguma mentira sabe muito bem o que ela, por mais pequena e inofensiva que possa parecer, é capaz de acarretar. Uma simples mentira tem o poder de destruir, num curto espaço de tempo, a boa moral de uma pessoa ou de uma causa constituída em anos e muito embora lhe seja atribuída a fama de ter ‘pernas curtas’, uma mentira pode durar um longo período de tempo e dar muito trabalho até que seja desmentida.

Mas no fim das contas o que sempre prevalece é a verdade, seja ela boa ou má, afinal não dá para ficar fugindo da verdade o tempo todo, é ou não é?

Para ajudar na reflexão desse assunto, a letra de “Verdades e Mentiras” de Sá e Guarabyra parece-me a mais adequada.
Você concorda com a letra?


Verdades e mentiras
Sá e Guarabyra

Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Porque que a cara feroz da mentira
Nos pode trazer tanta felicidade
Porque que na hora da grande verdade
Às vezes o povo se esconde se esquece?

Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira.


Às vezes é sua inimiga a verdade,
Às vezes é sua aliada a mentira,
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade,
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobre,
Qual deles mais desce?


Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira


Tem gente que jura que a vida é virtude,
Tem gente que faz o bem por falsidade,
Não há no universo uma força que mude
O dom da mentira, o som da verdade
A lábia do sábio, a arma do rude
São Deus e o Diabo unidos na prece


Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade...
esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira.
_____________________________________________

* Texto publicado na coluna "Citações Musicais" do Informativo Mix Cultural edição # 23, de 14 de abril de 2.001.


6.4.12

O mundo ainda está triste




Às vezes paro pra pensar
nos muitos retratos que a vida
nos vem revelar.

Recordações que se foram,
muitos que foram por elas,
por entre portas incertas
e falsas janelas.

O mundo ainda está triste,
pois o ódio ainda existe,
a intolerância está no ar,
ninguém consegue mais suportar.



E  nos becos e ‘quebradas’
pessoas são espancadas;
cuidado com a polícia
encostando na calada.

Tiroteio é coisa comum,
não importa, é qualquer um;
nossas crianças vão crescendo
sem futuro nenhum.



O mundo ainda está triste,
pois o ódio ainda existe,
ninguém consegue mais suportar,
a intolerância está no ar.



Renato J. Oliveira           maio de 1.997



5.4.12

Na capa da Folha de São Paulo


Dia 26 de março de 1.994, sábado...
O dia dificilmente esquecerei, da noite pouca coisa guardei.
Saímos de Leme creio que após as 11h., o Lobinho, o Jânio e eu. Nosso destino: um show com algumas bandas punks na cidade de Limeira (SP), no "Clube do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira".
Fomos as primeiras pessoas a chegar no local, logo depois do meio-dia eu acho. Próximo dali havia uma lanchonete, onde passamos a maior parte do tempo. Comemos lanche e bebemos muitas cervejas e outras bebidas alcoólicas. Aos poucos, o pessoal começou a chegar. De Leme, além de nós, vários outros amigos do movimento também compareceram (dentre estes me lembro do Leka, do Bocão, da Denise, da Dani...).
Nenhum de nós tinha ideia que naquele evento punk estaria a imprensa, a reportagem do jornal Folha de São Paulo.
Quando a repórter e o fotógrafo chegaram, eu particularmente já estava completamente bêbado e não me lembro de praticamente nada do que disse a eles. Mas me lembro que eles tiraram várias fotos, deram atenção especial a mim e a outro punk que conheci no evento, o Vira-lata, certamente porque ele e eu éramos os únicos de cabelo moicano no show.
A única banda que me lembro é a DZK.
O show terminou de madrugada e a essa altura eu já estava me recuperando da bebedeira, dos efeitos do álcool.
Lá fora, o Lobinho, o Jânio e eu começamos a nos despedir dos amigos que havíamos conhecido lá e de outros que já conhecíamos. Alguns caras, acredito que uns 5 ou 6, começaram a fazer algumas perguntas suspeitas para nós; eram perguntas a respeito do Movimento Oi, o Movimento Careca em Leme. Esses caras já haviam despertado a nossa desconfiança durante o show. Percebemos que na 'pogação' eles pareciam intencionados a agredir alguns punks (inclusive eu).  Apesar de desconfiarmos que eles fossem carecas, descemos a rua do evento a caminho da rodoviária na companhia daqueles caras, mas além de nós, haviam vários outros punks de outras cidades. O problema é que muitos deles não desconfiaram de nada.
Ao final da rua, o grupo se dividiu. Nós de Leme e alguns amigos de Araras seguimos por um lado enquanto outro grupo seguiu para o outro, porém, em companhia dos suspeitos carecas. No caminho, falamos a respeito e todos tínhamos quase certeza de que eram carecas.
Quando enfim chegamos na rodoviária de Limeira, certamente causamos espanto. Com certeza éramos mais de 20, a maioria de porre, falando alto, rindo, deitando nos bancos, no chão...
Não demorou muito e a polícia chegou. Não foram nada gentis, muito pelo contrário. Alguns foram agredidos e me lembro que um amigo de Araras (SP) desacatou um dos policiais e acabou sendo levado para a delegacia (ele só saiu depois que já havíamos partido). Porém, o fato mais surpreendente e até chocante foi quando por volta das 7 horas da manhã dois jovens que haviam estado no show apareceram na rodoviária completamente machucados. Eles estavam no grupo que seguiu com os supostos carecas. Disseram que em determinado local eles se revelaram e começaram a agredi-los sem qualquer motivo (como é de praxe nesses ganguistas). Quebraram garrafas no asfalto e as usaram para agredi-los; alguns conseguiram fugir, mas outros não tiveram a mesma sorte. Me lembro que um deles tinha cabelos longos (curtia metal) e não aparentava ter mais de 17 anos, ele estava muito ferido; havia deixado o hospital e estava com muitos curativos pelo corpo. A covardia daqueles idiotas deixou todos bastante revoltados.



(CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR)




Bom, acredito que a nossa galera chegou em Leme depois das 8, talvez 9 horas da manhã do dia 27 de março, domingo, aí cada um seguiu o caminho de sua casa.  Quando passava em frente ao antigo Hotel Terra da Vera Cruz, de propriedade do meu tio Jairo, ele, da sacada me chamou.  Meu moicano já estava caído, mas mesmo assim ele quis tirar umas fotos. Dias depois ele me deu as duas. (ao lado)  Hoje o Hotel Terra da Vera Cruz nem existe mais. Meu tio vendeu o prédio, que foi demolido e hoje em seu lugar funciona uma loja de artigos variados.




04 de abril de 1.994, segunda-feira...
Na hora do almoço, após sair do serviço, fui até a Banca do Rubão (centro da cidade, próximo onde eu trabalhava) e me deparei com minha foto na capa do jornal Folha de São Paulo (no canto esquerdo da parte superior). Sensação estranha. Comprei dois exemplares e lembro-me de ter achado engraçado a minha cara de bêbado nas fotos. Fui reconhecido na rua por várias pessoas durante alguns dias.
Mas não concordei com muita coisa que colocaram na matéria a respeito do movimento punk (como por exemplo o nome de algumas gangues aliadas ou simpatizantes de carecas)
Também odiei a frase "Punks Vira-lata e Curse exibem o penteado em festival". (Que merda! kkkkkkk)
Mas sabe, valeu a experiência.  Eu estava prestes a completar meus 17 anos.

E já se passaram tantos anos! 
Como o tempo passa!

 


Veja a edição de n.o 23.742 do Jornal Folha de São Paulo
(04-Abril-1994) disponibilizada no site do respectivo jornal.

abordando o evento punk em Limeira (SP).


* O Jânio faleceu há alguns anos. 
Da galera, o que vejo com mais frequência é o Lobinho 
(à esquerda, na foto abaixo, tirada em 13 de dezembro de 2.008)




3.4.12

Parabéns Ademir da Guia!



Neste dia 03 de abril de 2.012, um dos maiores jogadores da história do futebol mundial completou 70 anos de idade: Ademir da Guia, o "Divino".


ADEMIR DA GUIA... A Herança Divina

No bairro carioca de Bangu, quando aquele menino de 7 anos, sarará, magro e tímido passava, diziam: "É filho de Domingos, o que acaba de findar a carreira. Esse moleque talvez seja o único da Guia a não bater bola, pois só pensa em natação". E recitavam os craques do clã: Luís Antonio, zagueiro banguense de 1912, Ladislau e Mamédio, chegando a Domingos da Guia, o Divino Mestre, caçula dos irmãos e mais famoso, cuja trajetória o Brasil e o resto do mundo conhecem muito bem.

De fato, Ademir da Guia, nascido em 3 de abril de 1942, até os 10 anos só pensava em piscina, onde conquistara troféu pelo Bangu Atlético Clube. Porém, vieram as peladas de rua e eis que o filho do Divino Mestre passa a jogar com os guris num time chamado Céres. Em 1956, ele se incorporou ao infantil do Bangu, onde ficaria até o ano seguinte. Já inclinado a ser um armador, seus ídolos nessa fase eram Dequinha e Rubens, apoiadores do Flamengo e reservas brasileiros na Copa do Mundo de 54.

Em 58, Ademir teve breve passagem no juvenil do Botafogo e voltou ao Bangu, onde essa categoria era treinada por Elba de Pádua Lima, Tim. A partir daí, aos poucos o filho de Domingos e Erotildes esquecia a piscina e se doava ao futebol. Com feeling, Tim, vendo nele elegância, toque refinado de bola, visão de campo, bom posicionamento, senso de equipe e extrema lealdade - além da grife no sobrenome da Guia -, deu-se conta que tinha em mãos uma pedra preciosa. E decidiu lapidá-la devagar. Só que Domingos, com o mesmo entendimento sobre o filho, ofereceu-o ao Santos, onde Pelé iniciava o reinado. Mas por divergência salarial o rebento de da Guia não virou santista. E pelo Bangu foi campeão juvenil carioca em 1959.

Em março de 60, a sua performance levou-o aos treinos da seleção brasileira de amadores que ia jogar o Pré-Olímpico no Peru, visando a Olimpíada de Roma. Na triagem, ele foi preterido - mas Gérson estava entre os que viajaram. Por sorte de da Guia, Zizinho, o grande Mestre Ziza, assumiu a direção do profissional banguense e não hesitou em escalá-lo para vencer o torneio de Nova Iorque - batendo, inclusive, o italiano Sampdoria por 4 a 0. No início do ano seguinte, antes de voltar aos Estados Unidos para fazer o mesmo torneio, o Bangu jogou em Portugal e Espanha. Nessa ocasião, o Barcelona quis comprar Ademir por 16 mil dólares e não teve resposta do Bangu. Em agosto, Domingos negociou o passe do filho com o Palmeiras, fato que fez um presidente banguense blasfemar: "Vendemos um bonde"... Pois é, por ironia do destino, esse bonde seria o maior ídolo do paulistano clube do Parque Antarctica.

No primeiro ano alviverde, da Guia atuou nos aspirantes e só em dezembro fez amistoso no time principal. A seguir, com a dupla de meio-de-campo palmeirense, Zequinha e Chinezinho, nos treinos da seleção brasileira que ia à Copa do Mundo, ele jogou bem mais no grupo de cima. E em 63, além de campeão nos aspirantes, da Guia foi ainda aproveitado no profissional, vencendo o certame paulista. Com justiça, nesse 1963 ele seria considerado pela imprensa o melhor jogador de São Paulo. À época, a afinada equipe alviverde passou a ser tida como "Academia". E não faltou quem dissesse que Ademir era lento, confundindo o seu estilo de jogo cadenciado - mas de passadas largas - com vagareza. Em protesto, claro, houve quem respondesse que ele parado fazia mais em campo que os velocistas a correrem inutilmente.

 Com a ida de Chinezinho, o camisa 10, para a Itália, abriram-se de vez as portas do clube para Ademir. E, feliz por ter da Guia ao seu lado, o lateral Djalma Santos passou a chamá-lo de "Divino", o que é mais definição que apelido. (A rigor, a divindade dele era de nascença, herança paterna). Coroando o início do estrelato, da Guia em 64 recebeu o parceiro Dudu, volante que com ele formara o centro irradiador de talento da equipe paulistana nos anos 60 e 70. A partir disso, o Divino foi lembrado pela mídia de São Paulo para integrar a seleção nacional. E no campeonato paulista a Academia, regida pela técnica de Ademir, passava a ser a única força a fazer face à inegável supremacia do Santos. Quando veio 65, o meia alviverde comemorou vitórias do clube nos torneios IV Centenário, do Rio de Janeiro, e Rio-São Paulo. Para ele, também fora festivo as 6 partidas que fez na seleção brasileira, sendo uma delas com o Palmeiras representando o País, vencendo o Uruguai por 3 a 0 no Mineirão, sob as ordens de Filpo Nuñes - único técnico estrangeiro do escrete nacional. Contudo, nesse ano, o que de melhor ocorreu para o Divino da Guia foi conhecer uma moça chilena em uma excursão do Palmeiras. Na verdade, ela lhe tocou o afeto com a doçura e a leveza com que Ademir costumava tratar a bola.

De peito amoroso em brasa, ele foi campeão paulista em 66. E venceu a Taça Brasil e o torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) de 67, quando casou pela primeira vez - união da qual teve 2 filhos, que se irmanariam ao do segundo casório. Venceu ainda outro Robertão (69), os estaduais de 72, 74 e 76, o Campeonato Brasileiro de 72 e 73, os torneios Ramón de Carranza (69, 74 e 75), Cidade de Saragoza (72) e Mar Del Plata (72), dentre outros. (Em 1972, a revista Placar o distinguiu com o troféu Bola de Prata). À seleção da Guia voltou ainda em 1974 - quando fez só um tempo contra a Polônia, decidindo o 3º lugar no Mundial realizado na Alemanha - e 76, completando assim 12 participações com a camisa canarinho.

Aos 33 anos, ele queria jogar mais quatro. Para tanto, estava em forma, tonificado e se aplicando nos treinamentos físicos. Foi quando em 1975, em um amistoso em Manaus, de repente Ademir sentiu a primeira crise de falta de ar. Adiante, outros tormentos respiratórios vieram abatê-lo. Em 76, já dono do passe, o meia recebeu propostas dos Corinthians, Guarani e Monterrey mexicano, mas preferiu continuar alugando a força de trabalho ao Palmeiras. Contudo, sentindo-se mal em setembro de 77, jogando com o Corinthians, o Divino capitão palmeirense pediu para sair no intervalo e desde então jamais voltou a atuar como profissional. Ao longo de toda a carreira, ele fez 901 partidas e 153 gols.

Com o fim da Era Ademir acabara a Academia que deliciou a vida por 12 anos. E nos estádios, em escala universal, há a certeza que ninguém demonstrava mais elegância que esse craque no toque de bola. Por isso, ele é poema ("Ademir da Guia") de João Cabral de Melo Neto - um nome na literatura brasileira -, estátua na sede do Palmeiras, memória merecida dentro e fora do Brasil. Sobre da Guia, escreveram na espanhola cidade de Cádiz: "É uma espécie de violonista que mostra um sorriso de uma suavidade desconhecida no futebol de hoje". Assim, não é exagero afirmar que o Divino Ademir foi - em todos os tempos - quem mais aproximou esse espetáculo artístico e esportivo apaixonante da dança, da música e da escultura.

Nota: Este texto é um dos capítulos do livro de Antonio Falcão, "Os Artistas do Futebol Brasileiro"


Extraído do site PALESTRINOS 




Biografia
Ademir da Guia é filho do zagueiro brasileiro Domingos da Guia, chamado de "O Divino Mestre", considerado um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro. Alto e esguio, Ademir chegou a atuar como centroavante no início da carreira, mas sempre preferiu o meio-de-campo. Chegou em São Paulo em 1961 vindo do Bangu-RJ, clube que o revelou para o futebol, assim como a seu pai e a seu tio, Ladislau da Guia (até hoje o maior artilheiro da história do Bangu, com 215 gols), para jogar no Palmeiras onde permaneceu até encerrar a carreira em 1977. Ídolo maior da história do clube, formando o célebre meio-de campo Dudu & Ademir, teve a biografia publicada em 2001. Em 2006, foi lançado um documentário sobre a sua carreira, intitulado Um craque chamado Divino.


Carreira
Clubes
 Céres Futebol Clube - (1952 a 1956) (categoria de Base)
 Bangu Atlético Clube - (1956 a 1961)
 Palmeiras - (Agosto de 1961 a 1977)


Títulos
Palmeiras
 Campeonato Paulista: 1963, 1966, 1972, 1974 e 1976.
 Torneio Rio-São Paulo: 1965.
 Torneio IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro: 1965.
 Taça Brasil: 1967.
 Torneio Roberto Gomes Pedrosa: 1967 e 1969.
 Troféu Ramón de Carranza (Espanha): 1969, 1974 e 1975.
 Torneio Laudo Natel: 1972.
 Torneio Mar del Plata (Argentina): 1972.
 Campeonato Brasileiro: 1972 e 1973.


Estatísticas
Partidas pelo Palmeiras: 901 (recordista do clube)
Partidas oficiais: 980
Gols pelo Palmeiras: 153 (3° maior goleador do clube)
Gols na carreira: 165
Partidas pela Seleção: 12
Gols pela Seleção: nenhum

Fonte: PORCOPÉDIA




Cronologia
Ademir Ferreira da Guia
1942: Nasce, no dia 3 de Abril, no Rio de Janeiro - RJ.
1962: Estréia no Palmeiras, no dia 22 de Fevereiro, no jogo Palmeiras 3 x 1 Corinthians.
1963: Conquista o título do Campeonato Paulista.
1965: Conquista o título do Torneio Rio São Paulo.
1965: Estréia na Seleção Brasileira, participando de amistosos contra Bélgica, Alemanha, Argentina, Argélia e Portugal.
1966: Conquista o título do Campeonato Paulista.
1967: Conquista o título do Torneio Roberto Gomes Pedrosa “Robertão” – o Campeonato Brasileiro da época – e da Taça Brasil.
1969: Conquista o título do Torneio Roberto Gomes Pedrosa “Robertão”.
1972: Conquista os títulos do Campeonato Brasileiro, do Campeonato Paulista e dos Torneios Mar del Plata, Laudo Natel e Cidade de Zaragoza, feito que ficaria conhecido como as “Cinco Coroas”, todos pelo Palmeiras.
1972: Recebe o troféu “Bola de Prata”, da Revista Placar.
1973: Conquista o título do Bi-Campeonato Brasileiro.
1974: Conquista o título do Campeonato Paulista.
1974: Disputa, com a Seleção Brasileira, a Copa da Alemanha, sua única participação em mundiais.
1976: Conquista o título do Campeonato Paulista.
1977: Disputa, em 18 de setembro seu último jogo oficial, uma derrota por 2 a 0 para o arqui-rival Corinthians.
1984: Realiza sua despedida oficial, no dia 22 de Janeiro, num jogo entre amigos, disputado no Estádio do Canindé, em São Paulo.
1986: Recebe homenagem do Palmeiras, ganhando um busto na sede do clube.
2003: É eleito, em Outubro, para o mandato de vereador, na cidade de São Paulo-SP.
2003: Recebe, em Dezembro, o título de Cidadão Paulistano, numa cerimônia da Câmara dos Vereadores, realizada no Clube do Mé, em São Paulo-SP.
2004: Assume, no dia 1º de Janeiro, o mandato de vereador por São Paulo-SP.


Extraído do site PALESTRINOS







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1.4.12

Pela PAZ no Futebol!



Se no futebol não houvesse a rivalidade
ele sequer existiria, não seria uma realidade.
A rivalidade no futebol sempre foi instigante,
sempre mexeu com os nervos de seus amantes.
Porém, todavia, sempre teve os seus excessos também,
um ou outro imbecil querendo dar porrada em alguém.
Alguns chegam ao extremo de desejar, de causar a morte,
na linha de frente colocam a vida à mercê do azar ou da sorte.

Quanta estupidez! Quanta falta de bom senso!
Arrebentam famílias; causam, provocam um prejuízo imenso.
E fazem essas bobagens em nome de quê, do quê?
Do futebol? Do time? Da honra??? Afinal, do quê?
Até quando veremos cenas de selvageria no futebol?
São pessoas, é gente do mesmo mundo, abaixo do mesmo sol!
Fanatismo e extremismo são nocivos em qualquer esporte,
resultam em dor, resultam em ódio, resultam em morte.

Olhem com atenção para as torcidas organizadas;
nos estádios elas dão um show de beleza nas arquibancadas.
Apóiam, gritam, incentivam, cantam, fazem a festa.
Bani-las dos estádios seria mesmo a atitude mais certa?
Certamente que não, mas o que então deveria ser feito?
Afinal de contas, não pode, não deve ficar desse jeito.
Banir os bandidos das organizadas é o primeiro passo,
pregar, praticar a paz, combater a violência com punhos de aço.

Sejamos humanos, sejamos coerentes, sejamos racionais.
Para que matar, para que morrer por motivos banais?
A maior força do ser humano está em sua mente,
um anão racional pode muito mais que um gigante demente!
Clubismo em excesso é tão nocivo quanto o próprio racismo,
pois há intolerância, há preconceito, há ódio, há extremismo.
Hostilizar qualquer pessoa apenas por torcer para um time rival
é pura idiotice, não traz benefícios, só fomenta o mal.

Que graça teria se não houvessem as torcidas rivais?
O futebol também não teria muitas coisas essenciais.
Como por exemplo a emoção explosiva na hora do gol
não seria a mesma, pois não há rivais, seria apenas um gol.
Então, para que odiar, para que os extremos numa provocação?
Você não fica mais pobre ou mais rico se o seu time for campeão.
Não existe lógica alguma em fazer do futebol uma guerra mortal,
somos seres humanos, privilegiados, somos o ‘ser racional’.

Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Vasco, Flamengo, enfim,
qualquer time, qualquer clube deve ser respeitado, claro que sim.
O respeito é fundamental para se viver em harmonia,
futebol não é guerra, futebol é esporte, é lazer, é alegria.
Comecemos então por nós mesmos, vamos praticar a paz!
Ignorar os ignorantes, controlar os impulsos, frear os anseios,
VAMOS SER RACIONAIS!!!
Aqui vos fala um palmeirense, fã e apreciador desse belo esporte;
alguém que sonha em ver o futebol bem distante da palavra morte.


Renato J. Oliveira                  31 de março de 2.012



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EDIÇÃO ILUSTRADA.





https://www.clubedeautores.com.br/book/255048--O_Almanaque_do_Derby_Paulista

456 PÁGINAS

Além de embarcar na história do Derby paulista, de sentir e imaginar o clima de tantas e tantas pelejas marcantes que construíram essa rivalidade, o leitor também terá a oportunidade de acompanhar os detalhes mais memoráveis da história da Sociedade Esportiva Palmeiras, como por exemplo, o dramático episódio da mudança de nome, e a luta contra o “sistema”. Os grandes erros de arbitragem desde os primeiros embates, os erros que determinaram derrotas e até perdas de campeonatos...


Relação de todos jogos do Derby Paulista;

Fatos Históricos;

Todos os títulos;

Edição ilustrada


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122 páginas


TUDO SOBRE A MAIOR HUMILHAÇÃO QUE O CORINTHIANS SOFREU EM TODA SUA HISTÓRIA.

TUDO SOBRE A CAMPANHA DE 1933 (ANO EM QUE O FUTEBOL FOI PROFISSIONALIZADO NO PAÍS).

Edição Ilustrada.

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