28.3.18

Destruindo o mito do Hitler católico

https://www.clubedeautores.com.br/book/249788--Hitler_era_catolico


Reprodução dos capítulos VII, VIII, IX e XI do livro "Hitler era católico?"


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QUANDO HITLER ABANDONOU A FÉ CATÓLICA?
(trecho subtraído do CAPÍTULO III - pgs. 44 e 45)

          Apesar da formação católica e de até ter manifestado na infância o desejo de tornar-se sacerdote, todos sabemos muito bem que (infelizmente) Hitler não permaneceu fiel ao catolicismo, se é que em algum momento de sua vida ele tenha realmente vivido de acordo com o Catecismo da Igreja. Nesse caso a história certamente seria muito diferente e, quiçá, a Segunda Guerra Mundial jamais teria feito parte dela.
          Quase todos os biógrafos de Hitler traçaram um perfil de uma criança não muito bem ajustada à religião praticada por seus pais (ou no caso, de sua mãe), um menino até certo ponto rebelde e que algumas vezes resistia em acatar as ordens do pai, com quem tinha algumas pequenas desavenças. Segundo o historiador alemão Michael Rissmann, “Hitler foi influenciado na escola pelo Pan-germanismo, e começou a rejeitar a Igreja Católica, recebendo a Crisma só a contragosto”.


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A IGREJA CONDENA OFICIALMENTE O NAZISMO
(CAPÍTULO VII - pgs. 65 a 78)

           “Em 24 de janeiro de 1934, Hitler nomeou Alfred Rosenberg como o filósofo oficial do estado. Oficiais da Igreja ficaram perturbados – A indicação era de que Hitler era oficialmente defendia as ideias antissemitas, anticristãs e neopagãs apresentadas no "Mito do Século XX", de Rosenberg. Pio XI e o Cardeal Pacelli dirigiram o Santo Ofício para colocar o Mito do Século XX no Índice de Livros Proibidos de Rosenberg em 7 de fevereiro de 1934. O Cardeal Schulte de Cologne encontrou-se com Hitler e protestou contra o papel de Rosenberg no governo. Ignorado por Hitler, Schulte decidiu que a Igreja precisava responder e nomeou o reverendo Josef Teusch para dirigir uma defesa contra a propaganda nazista anticristã. Teusch eventualmente produziu 20 livretos contra o nazismo. "Verdades do Catecismo" vendeu sozinho sete milhões de cópias. Mais tarde, em 1934, "Studien zum Mythus des XX", um panfleto de ensaios atacando Mito do Século XX de Rosenberg, foi lançado em nome do Bispo Clemens von Galen – Studien era uma defesa da igreja.” (Robert Krieg, Catholic Theologians in Nazi Germany)
          Quase quatro anos após a Concordata, ao tomar conhecimento de alguns abusos e do não cumprimento de alguns parágrafos da mesma, o Papa Pio XI condenou oficialmente o nazismo e sua ideologia racista na Encíclica Mit Brennender Sorge (Com Profunda Preocupação), promulgada em 14 de março de 1937. Esta Encíclica é considerada o primeiro documento público de um chefe de Estado europeu a criticar o nazismo. Eis algumas das passagens mais célebres da Encíclica:
          "Aquele que, com sacrílego desconhecimento das diferenças essenciais entre Deus e a criatura, entre o Homem-Deus e o simples homem, ousar colocar-se ao nível de Cristo, ou pior ainda, acima d'Ele ou contra Ele, um simples mortal, ainda que fosse o maior de todos os tempos, saiba que é um profeta de fantasias a quem se aplica espantosamente a palavra da Escritura: 'Aquele que mora nos céus zomba deles' (Sal 2,4)."
          "A revelação, que culminou no Evangelho de Jesus Cristo, é definitiva e obrigatória para sempre, não admite complementos de origem humana, e muito menos sucessões ou substituições por revelações arbitrárias, que alguns corifeus modernos pretenderiam fazer derivar do chamado mito do sangue e da raça. Desde que Cristo, o Ungido do Senhor, consumou a obra da redenção, quebrando o domínio do pecado e tornando-nos merecedores da graça de chegar a ser filhos de Deus, desde aquele momento não se deu aos homens nenhum outro nome sob o céu, para conseguir a bem-aventurança, senão o nome de Jesus . Por mais que um homem encarnasse em si toda a sabedoria, todo o poder e toda a pujança material da terra, não poderia assentar fundamento diverso daquele que Cristo colocou."

          Entretanto, caro leitor, muito antes desta encíclica, o partido de Hitler já havia sido oficialmente condenado pela Igreja Católica, em pleno território alemão, conforme comprovado nos documentos encontrados em 2009 por Michael Hesemann. Em um dos documentos, datado de setembro de 1930, a arquidiocese de Mogúncia (Mainz), afirmava que estava “proibido a qualquer católico inscrever-se nas filas do Partido Nacional-Socialista de Hitler”.
“Aos membros do partido hitleriano não era permitido participar de funerais ou de outras celebrações católicas similares.”
“Enquanto um católico estivesse inscrito no partido hitleriano, não podia ser admitido aos sacramentos.”

       A denúncia da arquidiocese de Mogúncia foi publicada na primeira página do L’Osservatore Romano, em um artigo intitulado “Partido de Hitler condenado pela autoridade eclesiástica”, de 11 de outubro de 1930.
          Em fevereiro de 1931, a diocese de Munique confirmou a incompatibilidade da fé católica com o Partido Nazista.
          No mês seguinte, também a diocese de Colônia, Parderborn e as das províncias de Renânia denunciaram a ideologia nazista, proibindo de forma pública qualquer contato com os nazistas.

          “O nacional-socialismo, no seu programa cultural e político, contém heresias porque nega abertamente ou interpreta mal elementos importantes da doutrina católica e porque, de acordo com seus líderes, quer substituir a fé cristã por uma nova ideologia.”
           “Destacados representantes do nacional-socialismo consideram a raça mais importante que a religião. Eles negam as revelações do Antigo Testamento e até o Decálogo Mosaico.”
           “O que o nacional-socialismo chama de cristianismo, não é o cristianismo de Cristo.”
           “É estritamente proibido aos padres e religiosos católicos cooperar ou se juntar ao movimento nacional-socialista de qualquer forma.”
          “Nazistas estão proibidos agora e no futuro de participar dos serviços religiosos quando aparecerem em grupo com uniforme e bandeira.”

          Indignados com a excomunhão emitida pela Igreja Católica, os nazistas enviaram Hermann Göring a Roma afim de reunir-se em audiência com o então secretário de Estado Eugenio Pacelli. No dia 30 de abril de 1931, o cardeal Pacelli rejeitou encontrar-se com Göring, que foi recebido pelo subsecretário, Dom Giuseppe Pizzardo, o qual tinha a tarefa de anotar tudo o que os nazistas pediam.
          Em agosto de 1932, a Igreja Católica excomungou todos os dirigentes do Partido Nazista. Entre os princípios anticristãos denunciados como hereges, a Igreja mencionava explicitamente as teorias étnicas e o racismo.
          Também em agosto de 1932, a Conferência Episcopal alemã publicou um documento detalhado no qual eram dadas instruções de como relacionar-se com o Partido Nazista. Nele, estava escrito que era absolutamente proibido aos católicos que fossem membros do Partido Nacional-Socialista. Quem desobedecesse, seria imediatamente excomungado.
          Em janeiro de 1933, quando Adolf Hitler chegou ao poder, as associações católicas alemãs difundiram um folheto intitulado: “Um convite sério em um momento grave”, no qual consideravam a vitória do Partido Nacional-Socialista como “um desastre” para o povo e para a nação.
          No dia 10 de março de 1933, a Conferência Episcopal alemã, reunida em Fulda, enviou um apelo ao presidente da Alemanha, o general Paul L. von Beneckendorff und von Hindenburg, expressando “preocupações mais graves, que são compartilhadas por amplos setores da população”.
          Os bispos alemães se dirigiram a von Hindenburg manifestando seu temor de que os nazistas não respeitassem “o santuário da Igreja e a posição da Igreja na vida pública”. Por isso, pediram ao presidente uma “urgente proteção da Igreja e da vida eclesiástica”.

          Todos os documentos encontrados pela Pave the Way Foundation (PTWF) em 2009 são de notável importância porque põem um fim às repetidas calúnias que pretenderam manchar a Igreja Católica como diligente colaboradora do nazismo, quando na verdade foi a primeira em denunciar sua periculosidade. (Antonio Gaspari)

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A PERSEGUIÇÃO DE HITLER AOS CATÓLICOS
(CAPÍTULO VIII - pgs. 79 a 86)

          A reação de Hitler ao tomar conhecimento da Encíclica de Pio XI (condenando o nazismo) foi instantânea. O ditador teria declarado: "Vou abrir uma campanha contra eles (o clero católico) na imprensa, rádio e cinema, de modo que eles não saberão o que os atingiu. Não teremos nenhum mártir entre os sacerdotes católicos, é mais prático mostrar que eles são criminosos”.

          No dia seguinte à leitura do documento papal nas igrejas alemãs, oficiais da Gestapo visitaram todas as paróquias e escritórios diocesanos com o intuito de apreender as cópias existentes da Encíclica. Também através da Gestapo, Hitler intensificou a perseguição aos católicos alemães, o que acabou resultando na prisão de mais 1.100 membros do clero. Através de seu ministro Joseph Goebbels encabeçou uma campanha publicitária difamatória contra a Igreja Católica, na intenção de colocar todo o povo alemão contra ela.

          O historiador Richard J. Evans, considerado um dos maiores especialistas em História Alemã e Segunda Guerra Mundial, escreveu o seguinte em seu livro "Terceiro Reich no Poder (The Third Reich in Power)":

           “Já desde antes da Concordata ser ratificada, o Cardeal Pacelli, o Secretário do Vaticano do Estado em Roma, estava enviando fluxo frequente de longas e circunstancialmente detalhadas reclamações ao governo alemão sobre tais violações, listando centenas de casos nos quais os camisas marrons haviam fechado organizações católicas, confiscado dinheiro e equipamento, engajado em propaganda anticristã, banido publicações católicas, e muito mais. Padres Católicos foram prejudicados nesta luta, publicamente reclamando a suástica como a "Cruz do Diabo"”

           “Em 4 de novembro, o Ministro (Educacional Regional) tornou as coisas muito piores ao banir a consagração religiosa de novos prédios escolares e ordenar a remoção de todos os símbolos religiosos como crucifixos (e, a propósito, retratos de Lutero) de todos os prédios do estado, municipais e paroquianos, incluindo escolas.”

           “A Câmara de Teatro do Reich começou de 1935 em diante a banir eventos teatrais e musicais patrocinados pela Igreja, argumentando que eles estavam competindo financeiramente e ideologicamente com os concertos e peças patrocinados pelos Nazistas. Por 1937 ela estava banindo as peças de Natal.”

           “Após o começo da campanha de Goebbels contra corrupção financeira na Igreja, os tons das relações entre Berlim e Roma se tornaram muito mais afiados. As relações pareciam estar mergulhando em hostilidade aberta. Cultos e sermões da Igreja na Alemanha estavam agora proibidos, o Vaticano reclamou, sendo sujeitado a constante vigilância pelas autoridades…”

           “Os problemas vieram a cabeça quando, alarmados pelos conflitos escalando, uma delegação sênior de Bispos e Cardeais Alemães, incluindo Bertram, Faulhaber, e Galen, foram a Roma em Janeiro de 1937 para denunciar os Nazistas por violar a Concordata.”

          "...o governo Alemão estava conduzindo uma "luta de aniquilação" contra a Igreja: com medidas de compulsão ambas visíveis e disfarçadas, com intimidação, com ameaças de desvantagens econômicas, profissionais, cívicas e outras, a fé doutrinal dos Católicos e em particular de certas classes dos servos civis Católicos foram sendo colocados sob uma pressão tão ilegal quanto desumana.”

           “Armados desde 1936 com seus novos poderes como Líder da Polícia Alemã, Himmler agora aumentou a campanha contra a Igreja. Junto com seu imediato Reinhard Heydrich, ele colocou agentes secretos nas organizações da Igreja, e escalou a perseguição policial dos clérigos. Houve mais supressão da imprensa diocesana, restrições foram colocadas nas peregrinações e procissões, até mesmo em casamentos Católicos e classes foram banidas porque elas não transmitiam a visão Nacional-Socialista destas coisas.”

           “Por 1938 a maioria dos grupos de juventude Católica haviam sido fechados em razão de estarem assistindo na disseminação de "escritos hostis ao estado". A Ação Católica, da qual os líderes na Alemanha alegadamente mantiveram comunicações com o Prelate Kaas, o antigo líder do Partido Central, foi também banida em 1938. Subsídios estatais para a Igreja foram cortados na Bavária e na Saxônia, e monastérios foram dissolvidos com seus assentos confiscados. Mandados de busca e prisões de padres "políticos" aumentaram substancialmente, com um fluxo constante de casos bem publicados de "abuso do púlpito" trazidos perante a corte.”

           “… Exigindo da Igreja Católica "tirar a máscara", mais do que sugerindo que homossexualismo e pedofilia eram epidêmicos na Igreja como um todo, e não em instâncias isoladas.”

           “Particularmente ofensivo, declarou a imprensa,era o fato de que a Igreja defendia os acusados e os tratava como mártires. A medida que mais julgamentos seguiram, o Ministério da Propaganda construiu uma constante campanha para retratar a Igreja como sexualmente corrupta e indigna de ser confiada na educação dos jovens.”

           “… Tais coisas somente ocorriam na Igreja, onde, foi sugerido, eles eram um inevitável produto do celibato que era requerido do sacerdócio pela Igreja. A Igreja Católica era uma ‘ferida no saudável corpo racial’ que deveria ser removida, declarou um artigo da imprensa Nazista. A campanha culminou em um discurso furioso pelo próprio Ministro da Propaganda do Reich, dado a uma audiência de 20 mil dos fiéis ao Partido, e transmitida em rádio nacional, em 28 de maio de 1937, denunciando os Católicos como "corruptores e envenenadores da alma do povo" e prometendo que "esta praga sexual deverá ser exterminada, raiz e ramo". Não é a lei do Vaticano que impera aqui entre nós, ele avisou a Igreja, mas a lei do povo Alemão.”

           “… Os Nazistas agora lançaram uma campanha sustentada para fechar escolas denominacionais e substituí-las com "escolas comunitárias" não religiosas, apoiada por votos dos pais.”

           “No verão de 1939, todas as escolas denominacionais na Alemanha haviam se tornado escolas comunitárias, e todas as escolas privadas administradas pelas Igrejas haviam sido fechadas, e os padres a frades que as administravam foram demitidos. Padres foram impedidos de ensinar em escolas primárias em crescente número. Ao mesmo tempo, classes de instrução religiosa foram reduzidas drasticamente.”

          "O poder da Igreja Católica na Alemanha, como aquele da contraparte Protestante, haviam sido severamente minados por volta de 1939. Havia sido intimidado e perseguido até que começou a baixar o tom de suas críticas ao regime por medo de que algo ainda pior pudesse acontecer...”

           “Tais ideias anticristãs eram difundidas na Juventude Hitlerista e formavam uma parte cada vez mais importante do programa do Partido para a doutrinação dos jovens. Crianças recebendo lanches da organização de bem-estar Nacional-Socialista em Colônia, por exemplo, eram obrigadas a recitar uma oração antes e após a refeição, a qual substituía o nome de Deus pelo nome do Führer..."


          Diante de todos esses fatos, entre tantos questionamentos, duas perguntas primordiais que podemos lançar aos que afirmam ou acreditam que Hitler era católico são:

          1) Por que o ditador não se submeteu aos apelos do Papa Pio XI que condenou oficialmente sua doutrina nazista?

          2) Se Hitler era católico, por que ele ordenou uma perseguição ferrenha aos católicos da Alemanha?


          “O objetivo derradeiro da SS ia além da erradicação do Catolicismo político para a destruição da própria Igreja como um centro de poder e autoridade moral. Reinhard Heydrich (um dos principais idealizadores nazistas) tentou desacreditar o clero ao produzir um número de julgamentos baseados em acusações de contrabando de moeda e má conduta sexual por padres e freiras que foram dadas ampla publicidade no jornal SS, Das Schwartze Korps.” (Callum Macdonald, “O assassinato de Reinhard Heydrich”)


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O MASSACRE DOS CATÓLICOS NA POLÔNIA
(CAPÍTULO IX - pgs.87 a 98)

          Este é um capítulo que certamente demandaria um estudo mais aprofundado e consumiria muitas e muitas páginas, mas para que o leitor tenha uma ideia do quão ferrenha foi a perseguição nazista aos católicos na Polônia, observemos os fatos a seguir.

          Primeiramente, vale enfatizar que, na época da invasão (1939), cerca de 65% da população da Polônia declarava ser católica (fonte: Jozef Garlinski; "Polônia e Segunda Guerra Mundial"). Segundo o historiador Richard J. Evans, a Igreja Católica era a instituição que "mais do que qualquer outra sustentava a identidade nacional polonesa ao longo dos séculos", ou seja, a Polônia era um país predominantemente católico e cristão.

          De acordo com o livro "Hitler, uma biografia (Hitler a Biography)”, de Ian Kershaw, a Igreja Católica na Polônia foi brutalmente suprimida pelos nazistas durante a ocupação alemã naquele país (1939-1945). Nas áreas polacas anexadas pela Alemanha nazista as igrejas foram sistematicamente fechadas e a maioria dos sacerdotes foram mortos, presos ou deportados. Em toda a Polônia, milhares de sacerdotes morreram em prisões e campos de concentração; milhares de igrejas e mosteiros foram confiscados, fechados ou destruídos; e inúmeras obras de arte religiosa e objetos sagrados se perderam para sempre. Os líderes da Igreja foram alvo como parte de um esforço geral para destruir a cultura polonesa. Pelo menos 1811 pessoas do clero polonês morreram em campos de concentração nazistas. No total, cerca de 3000 clérigos foram mortos. Os planos de Hitler para a germanização do Oriente não tinham lugar para as Igrejas cristãs.

          O clero superior da Polônia sofreu duras represálias; alguns foram forçados a se aposentar, enquanto outros foram presos e até executados. Os bispos Marian Leon Fulman, Władysław Goral, Michał Kozal, Antoni Julian Nowowiejski e Leon Wetmański foram enviados para campos de concentração, com Goral, Nowowiejski, Kozal e Wetmański perecendo em Sachsenhausen, Dachau, Soldau e Auschwitz, respectivamente. (fonte: Pierre Blet, "Pio XII e Segunda Guerra Mundial: de acordo com os arquivos do Vaticano")

          Após a invasão, o cardeal August Hlond apresentou um relatório oficial das perseguições contra a Igreja polonesa ao Vaticano. Ele descreveu apreensões da propriedade da igreja e abuso de clérigos e freiras na Arquidiocese de Gniezno:

          "Muitos sacerdotes são presos, sofrem humilhações, golpes, maus tratos. Um certo número foi deportado para a Alemanha... Outros foram detidos em campos de concentração... Não é raro ver um padre no meio de grupos trabalhistas que trabalham nos campos... Alguns deles até foram presos, barbaramente agredidos e submetidos a outras torturas... A Canon Casimir Stepczynski ... foi forçada, em companhia de um judeu, a levar o excremento humano... o curador que desejava tomar o lugar do venerável padre foi brutalmente espancado com o cabo do rifle."

          "Na diocese de Chełmno afirma-se que um grande número de sacerdotes foram baleados, mas nem o número nem os detalhes são conhecidos, já que as autoridades de ocupação mantêm um obstinado silêncio sobre o assunto... As Igrejas foram quase todas foram fechadas e confiscadas pela Gestapo... todas as cruzes e símbolos sagrados à beira da estrada foram destruídos... 95% dos sacerdotes foram presos, expulsos ou humilhados diante dos fiéis... e a maioria dos católicos eminentes foram executados."

          "O hitlerismo visa a destruição sistemática e total da Igreja Católica nos territórios ricos e férteis da Polônia que foram incorporados ao Reich... Sabe-se com certeza que 35 sacerdotes foram baleados, mas o número real de vítimas, sem dúvida, equivale a mais de cem... Em muitos distritos, a vida da Igreja foi completamente esmagada, o clero quase foi expulso; as igrejas católicas e os cemitérios estão nas mãos dos invasores... O culto católico quase não existe... Os mosteiros e os conventos foram sistematicamente suprimidos... (propriedades da Igreja) foram todas saqueadas pelos invasores."


          Nos dias 16 e 17 de novembro de 1940, a Rádio Vaticano disse que a vida religiosa para os católicos na Polônia continuou a ser brutalmente restrita e que pelo menos 400 clérigos foram deportados para a Alemanha nos quatro meses anteriores. (A Guerra Nazista Contra a Igreja Católica; Conferência nacional de bem-estar católico; Washington DC; 1942; pp. 49-50)

          "As Associações Católicas no Governo Geral também foram dissolvidas, as instituições educacionais católicas foram fechadas e os professores e professores católicos foram reduzidos a um estado de extrema necessidade ou foram enviados para campos de concentração. A imprensa católica tornou-se impotente. Na parte incorporada ao Reich, e especialmente na Posnania, os representantes dos sacerdotes e ordens católicos foram encerrados em campos de concentração. Em outras dioceses, os sacerdotes foram presos. As áreas inteiras do país foram privadas de todos os ministérios espirituais e os seminários da igreja foram dispersos." (Radio Vaticana, novembro de 1940)

          Os discursos do Vaticano não surtiram nenhum efeito positivo, muito pelo contrário.

          "No final de 1941 a Igreja Católica Polonesa foi efetivamente proibida na Wartheland. Foi mais ou menos germanizado nos outros territórios ocupados, apesar de uma encíclica emitida pelo Papa já em 27 de outubro de 1939 protestando contra esta perseguição." (Richard J. Evans, "O Terceiro Reich em Guerra")


          Analisemos algumas tristes estatísticas dessa história:

         Na Prússia Ocidental, 460 dos 690 sacerdotes poloneses foram presos (os sobreviventes foram obrigados a fugir - apenas 20 ainda estavam ativos em 1940). Entre os presos 214 foram executados.
          Na diocese de Varsóvia, 212 clérigos foram assassinados; em Wilno, 92; em Lwów, 81; em Cracóvia, 30; em Kielce, 13.
          Em Wrocław, 49,2% do clero foi assassinado;
          Em Chełmno, 47,8%;
          Em Łódź, 36,8%; (apenas quatro igrejas não foram fechadas)
          Em Poznań, 31,1% (só duas igrejas na cidade permaneceram abertas)
          As freiras tinham destino semelhante; cerca de 400 freiras foram presas no campo de concentração de Bojanowo.
          Muitos estudantes e freiras do seminário foram recrutados para trabalhos forçados.
          As poucas igrejas que restaram só poderiam abrir aos domingos das 9 às 11 da manhã e os sermões só podiam ser pregados em idioma alemão. Hinos poloneses foram proibidos. Crucifixos foram removidos das escolas e instruções religiosas proibidas. A ação católica tinha sido banida e instituições de caridade católicas como São Vicente de Paulo dissolvidas e seus fundos confiscados. Santuários religiosos e estátuas em lugares públicos haviam sido "derrubadas no chão". (fonte: A Guerra Nazista Contra a Igreja Católica; Conferência nacional de bem-estar católico; Washington DC; 1942; pp. 34-51)

          De um total de 2.720 clérigos registrados como presos no campo de concentração de Dachau, cerca de 2.579 (ou 94.88%) eram católicos e um total de 1.034 clérigos foram registrados no geral como mortos no acampamento. As estatísticas podem ser ainda maiores já que os números totais são difíceis de afirmar, pois alguns clérigos não foram reconhecidos como tais pelas autoridades, e alguns - particularmente os polacos - não desejavam ser identificados como tais, temendo que fossem maltratados. Mas, de longe, o maior número de presos clérigos veio da Polônia - no total 1.748 clérigos católicos polacos, dos quais 868 morreram no campo de Dachau. Um grande número de sacerdotes poloneses foram escolhidos para experimentos médicos nazistas. Em novembro de 1942, 20 receberam "flemmentes"; 120 foram utilizados pelo Dr. Schilling para experiências de malária entre julho de 1942 e maio de 1944. (Paul Berben, "Dachau: a história oficial 1933-1945")

          De acordo com Thomas J. Craughwell, 80% do clero católico e cinco bispos de Warthegau foram enviados para campos de concentração em 1939 (108 deles são considerados mártires abençoados, entre os quais estão 3 bispos e 79 padres, além de 7 freiras, vários seminaristas e alguns leigos pertencentes à Igreja).

          Por falar em mártir, é praticamente impossível falar da ocupação nazista à Polônia sem citar São Maximiliano Maria Kolbe, o santo mártir polonês que se ofereceu para morrer em lugar de um estranho no campo de extermínio de Auschwitz.

Resultado de imagem para São Maximiliano Maria Kolbe           Kolbe foi preso pelos nazistas em 19 de setembro de 1939, mas libertado em 8 de dezembro. Ele recusou-se a assinar o Deutsche Volksliste, um documento que lhe daria direitos semelhantes aos dos cidadãos alemães em troca de reconhecer sua ascendência alemã. Após a libertação, ele continuou trabalhando em seu mosteiro, onde, com a ajuda de outros monges, forneceram abrigo para refugiados da Grande Polônia, incluindo 2.000 judeus que ele pessoalmente escondeu da perseguição alemã em seu convento em Niepokalanów. Kolbe também recebeu permissão para continuar a publicar obras religiosas, embora significativamente reduzido no escopo. O mosteiro continuou a atuar como editora, emitindo uma série de publicações alemãs antinazistas. Em 17 de fevereiro de 1941, o mosteiro foi invadido pelas autoridades alemãs. Naquele dia, Kolbe e mais quatro foram presos pela Gestapo alemã e presos na prisão de Pawiak. Em 28 de maio, ele foi transferido para Auschwitz como prisioneiro nº 16670.

          Continuando a agir como sacerdote, Kolbe foi submetido a assédio violento, incluindo latidos e amarras, e uma vez teve que ser conduzido para um hospital da prisão por amigos internos. No final de julho de 1941, dez prisioneiros desapareceram do acampamento, fazendo com que o oficial Karl Fritzsch, o comandante do campo, escolhesse dez homens para morrer de fome em um bunker subterrâneo para impedir novas tentativas de fuga. Quando um dos homens selecionados, Franciszek Gajowniczek, gritou: "Tenho esposa e  filhos!", Kolbe se ofereceu para morrer em seu lugar.

          De acordo com uma testemunha ocular, um zelador assistente naquela época, em sua cela, Kolbe levou os prisioneiros em oração a Nossa Senhora. Cada vez que os guardas o visitavam, ele estava parado ou ajoelhado no meio da cela e olhando calmamente para aqueles que entravam. Após duas semanas de desidratação e fome, apenas Kolbe permaneceu vivo. "Os guardas queriam desocupar o bunker, então eles deram a Kolbe uma injeção letal de ácido carbólico. Kolbe levantou o braço esquerdo e calmamente esperou a injeção mortal”. Morreu em 14 de agosto. Os restos mortais foram cremados no dia 15 de agosto, dia da festa da Assunção de Maria

          Kolbe foi canonizado em 10 de outubro de 1982 pelo Papa João Paulo II que o declarou "mártir da caridade e Santo Padroeiro do nosso difícil século (XX)". Ele também é o santo padroeiro dos operadores de rádio amadores, dependentes de droga, prisioneiros políticos, famílias, jornalistas e do movimento pró-vida.

          Os milagres que foram usados para confirmar sua beatificação são a cura de tuberculose intestinal em julho de 1948 em Angela Testoni e, em agosto de 1950, a cura da calcificação das artérias e esclerose de Francis Ranier.

          Para finalizar este capítulo, deixo aos leitores duas imagens que certamente nunca verão em qualquer site ateu ou anticatólico. As fotos retratam a execução pública de clérigos poloneses e cidadãos no Bydgoszcz's Old Market Square, em 9 de setembro de 1939.

 



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PIO XII, PAPA DOS NAZISTAS OU DOS JUDEUS?
(CAPÍTULO XI - pgs.105 a 114)

          Muitas pessoas que servem verdadeiramente de fonte de desinformação acusam o Papa Pio XII de ter contribuído com o regime nazista, o que chega a ser um absurdo já que Pio XII nunca fez qualquer menção de apologia ao nazismo. Muito pelo contrário, pois Pio XII logo após assumir o trono pontifício, disse na "Encíclica Summi Pontificatus" que sua missão seria buscar a paz entre as nações em guerra (foi elogiado abertamente por isso no New York Times em outubro de 1939).

          Pio XII aceitou inclusive ser intermediário entre os ingleses e militares alemães contrários a Hitler que arquitetavam um Golpe de Estado para derrubar o regime nazista. O plano não vingou, mas a frustração do Papa (relatada por amigos próximos) deixa claro que ele não temia em colocar sua própria vida em risco - sem falar no risco de destruir a imagem da Igreja caso algo desse errado - para colaborar com a deposição de Hitler.

          Em janeiro de 1940 a Rádio Vaticana denunciou e condenou as atrocidades nazistas na Polônia, o que aumentou ainda mais a ira do ditador contra a Igreja Católica - naquele ano mais de 8 mil sacerdotes alemães sofreram penas e sanções - mais de 150 foram mortos.

          E a mensagem de Natal de Pio XII em 1942? Depois dela o embaixador da Santa Sé foi diretamente ameaçado por autoridades alemãs.

          Ninguém pode acusar o Papa de ter se omitido e muito menos de ter se calado, mas é óbvio que naquelas circunstâncias Pio XII deveria tomar muito cuidado com as palavras para não colocar ainda mais em risco a comunidade católica, principalmente na Alemanha. Para se ter uma ideia do quanto as palavras do Papa poderiam custar a vida de muitos inocentes, basta citar o caso da carta pastoral (escrita por alguns bispos católicos) que foi lida nas igrejas da Holanda em 20 de julho de 1942 e que condenava o tratamento desumano para com os judeus. Esta simples carta acarretou na ordem imediata da deportação de todos os católicos hebreus: cerca de 40 mil foram mortos!

          Documentos nazistas trazidos à público em 1998 e publicados no livro "Pio XII e gli ebrei" de Margherita Marchione, revelam o plano alemão de ELIMINAR PIO XII COM TODO O VATICANO. Motivo? Era um só: as declarações do Papa em favor dos judeus.

          Goebbels, em seu diário, escreveu que Hitler pensou várias vezes em sequestrar o Papa e fazê-lo prisioneiro em Lichtenstein. Muitos judeus e católicos sobreviventes ao Holocausto declararam um grande temor de que o Papa falasse mais energicamente contra os nazistas, o que certamente aceleraria o processo de extinção e muito provavelmente o agravaria ainda mais.

          Robert Kempner, delegado americano no Conselho do Tribunal de Crimes de Guerra de Nuremberg, afirmou: "Qualquer tentativa de propaganda da Igreja Católica contra o Reich de Hitler, não teria sido apenas um suicídio provocado, como declarou recentemente Rosenberg, mas também teria acelerado a execução de um número maior de sacerdotes e de judeus".

          E que tal a declaração do ilustre cientista judeu Albert Einstein para a Revista Time em 23 de dezembro de 1940: "As universidades assim como os jornais foram reduzidos ao silêncio em algumas semanas. Apenas a Igreja Católica permaneceu firme e fez frente à campanha de Hitler, que suprimia a verdade. E eu que não tive nenhum interesse na Igreja, agora tenho grande carinho e admiração, porque somente a Igreja teve a coragem e a constância de defender a verdade intelectual e a verdade moral. Eu devo confessar que, se alguma vez, a desprezei, agora devo louva-la sem reservas".

          Mas, agora, o fato mais interessante, o qual infelizmente é pouco divulgado e que certamente deixaria, no mínimo, envergonhados todos aqueles que acusam a Igreja Católica de ter sido uma aliada dos nazistas ou de ter se omitido ante as atrocidades de Hitler: mesmo com Roma invadida pelos alemães (desde 10 de setembro de 1943) e, sob vigia das autoridades nazistas, o Papa Pio XII ordenou que TODOS OS CONVENTOS E INSTITUIÇÕES CATÓLICAS ACOLHESSEM (o termo mais correto seria "escondessem") TODOS OS JUDEUS QUE BUSCASSEM UM LUGAR SEGURO. Apenas em Roma, 155 conventos (inclusive os de clausura) acolheram mais de 50 MIL JUDEUS. Na residência veraneia papal de Castelgandolfo mais de 30 MIL JUDEUS foram acolhidos por meses. Cerca de 60 JUDEUS viveram durante nove meses na Universidade Gregoriana e CENTENAS no próprio Vaticano. O cardeal Boetto de Gênova salvou pelo menos 800 JUDEUS; o bispo de Asís escondeu 300 JUDEUS durante mais de dois anos; o bispo de Campagna salvou 961 JUDEUS em Fiume.

          Agora façam as contas, caros difamadores da Igreja Católica!

          Existem documentos verídicos que comprovam que MAIS DE 85 MIL JUDEUS ITALIANOS escaparam da morte por INTERVENÇÃO E AÇÃO DIRETA DA IGREJA CATÓLICA.

          Enquanto 80% dos judeus europeus morreram durante a guerra, 80% dos judeus italianos se salvaram.


          No livro "Três Papas e os Judeus" escrito por Pinchas Lapide, cônsul de Israel em Milão que entrevistou os judeus italianos sobreviventes, fica claramente demonstrado e comprovado que o Papa Pio XII contribuiu substancialmente para salvar 700 mil judeus, e talvez 860 mil da morte certa nas mãos dos nazistas. Pinchas Lapide afirmou: "A Igreja Católica salvou mais judeus durante a guerra do que todas as outras igrejas, instituições religiosas ou organizações juntas. Isso em contraste com o que foi alcançado pela Cruz Vermelha ou pelas democracias ocidentais".

          Pio XII foi obrigado a falar pouco e agir muito e isso ele o fez com maestria, mesmo não conhecendo a fundo toda a verdade que Hitler e os nazistas tentavam esconder do mundo. Pio XII fez o que muitos chefes de nações recusaram-se a fazer: acolher, proteger e lutar pelos direitos dos judeus. A própria Cruz Vermelha Internacional e países como Suécia e Suíça permaneceram na mais absoluta neutralidade.

          Em 1946 o Papa Pio XII recebeu da comunidade judaica uma placa em agradecimento pelos serviços humanitários prestados aos judeus italianos. A placa, com o título de “Os judeus para Sua Santidade Pio XII”, diz o seguinte:

          “O Congresso dos Delegados das comunidades israelitas italianas, realizado em Roma, pela primeira vez após a Libertação, é obrigado a pagar tributo a Sua Santidade, e, para manifestar o mais profundo sentimento de gratidão de todos os judeus, por mostrar a Fraternidade humana da Igreja durante os anos de perseguição e quando suas vidas foram postas em perigo pelas atrocidades nazifascistas. Muitas vezes, sacerdotes suportaram prisões e campos de concentração e até mesmo sacrificaram as suas vidas para ajudar os judeus. Essa prova que o sentimento de bondade e caridade que ainda conduz o justo tem servido para diminuir a vergonha das indignidades suportadas, o suplício sofrido das perdas de milhões de seres humanos. Israel ainda não terminou o sofrimento: Os judeus sempre lembrarão o que a Igreja, sob ordens do papa, fez por eles naquele momento terrível”




           “Pacelli não sentia a menor atração por fascistas ou nazistas, e apelidara Hitler de “Atila motorizado”. (frase de John Cornwell, extraída do livro“Hitler’s Pope” – lembrando que Cornwell é anticatólico)






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CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS!



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