18.5.12

Leonardo da Vinci, o mais completo dos homens




O que às vezes pode parecer e ser inalcançável a muitas pessoas, no campo intelecto, inventivo e cultural, para outros (evidentemente bem poucos) pode ser perfeitamente atingível e facilmente explorável nas mais variadas abordagens, levando-nos por surpresa, espanto ou admiração, a inevitáveis indagações: “De onde proveria tanta criatividade, inteligência e raciocínio tão precisos?”  “Por que, se comparado ao número total de habitantes terrestres, um número tão escasso de pessoas consegue chegar ao ápice da genialidade?”  “Quais motivações inspiram os sábios, gênios e inventores a fazerem suas prodigiosas e surpreendentes criações/invenções?”
A Itália, por exemplo, foi o berço pátrio de muitos gênios que revolucionaram e radicalizaram os conceitos artísticos, culturais, morais e sociais do mundo todo, entre estes: Galileu Galilei, Giotto Da Bondone, Michelangelo e Leonardo da Vinci, o último classificado como “o mais completo dos homens”, título talvez conferido devido à notoriedade por ele atingida nas mais variadas ocupações e áreas nas quais se dedicou, nas ciências e nas artes, estas exprimidas no período Quatrocento do Renascimento.
Casa onde Da Vinci teria
passado a infância
Ilustríssimo pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, cientista, matemático, anatomista, inventor e escritor, Leonardo di Ser Piero da Vinci nasceu na aldeia de Anchiano, em Vinci, próximo a Florença (na Itália), no dia 15 de abril de 1.452.    Filho do nobre Messer Piero Da Vinci com uma camponesa, ele foi criado pelo pai sob finos cuidados morais e educativos.   Logo depois de seu nascimento, Ser Piero uniu-se a Monna Albiera degli Amadori que, mais tarde, juntamente com a avó paterna de Leonardo, ensinaria ao menino as primeiras letras.
Na idade escolar, educado por excelentes professores, a inteligência aguçada e apurada do garoto já havia aflorado nas muitas formulações teóricas que ele dirigia aos mestres, confundindo até os mais estudados.
Na adolescência, já residindo com a família em Florença, além de já escrever indefectivelmente com ambas as mãos e no sentido inverso (para ser lido somente se refletido num espelho), Leonardo da Vinci modelava com argila imagens humanas e animais e já demonstrando seus dons artísticos e científicos, ele rabiscava e criava complexos desenhos e projetos matemáticos e arquitetônicos. Mas tinha um detalhe: tudo isso ele fazia secretamente.   Porém, em 1.467, ao revirar suas coisas, seu pai acabou encontrando um daqueles desenhos e surpreso com a criatividade do filho de 15 anos, apresentou-o ao famoso pintor e escultor Andrea Di Cione, o II Verrocchio, para o qual Leonardo começou a trabalhar como aprendiz em seu ateliê, destacando-se tanto na pintura quanto na escultura.   Nesse período ele já dividia seu aperfeiçoamento artístico com seus estudos pessoais sobre física, matemática e mecânica.
São Jerônimo, obra inacabada
Em 1.472 foi matriculado e registrado na Companhia de Arte de São Lucas e em 1.477 parou de trabalhar com II Verrocchio.   Tamanho era o realismo e a perfeição de suas obras que, mais tarde, por volta de 1.480 (época em que começou a pintar São Jerônimo, a qual deixou inacabada), Leonardo da Vinci acabou sendo acusado de herege e feiticeiro pelas instituições católicas, o que resultou também num processo.

Depois de ganhar a causa, em 1.481, aos 29 anos de idade, o artista mudou-se para Milão, passando a trabalhar para Ludovico Sforza, o II Moro, em seu próprio castelo.  


A Última Ceia
Nessa época, além de ter desenvolvido para Ludovico projetos de engenharia militar e hidráulica (para os canis de Milão), Leonardo da Vinci pintou – entre várias telas – a “Virgem dos Rochedos” por volta de 1.483, o famosíssimo “Última Ceia” entre 1.495 e 1.497; decorou a Sala delle Asse em 1.498, iniciou os escritos de seu célebre livro “Tratado della Pittura” (publicado só em 1.651) e se aprofundou nos estudos de física, anatomia, matemática, botânica e geologia.  Nessa época, seus discípulos favoritos eram Solaino, Marco d’Oggiono e Boltraffio.
Em setembro de 1.499, com a invasão do exército francês a Milão (a mando do rei Luis XII), Leonardo e seus discípulos foram obrigados a deixar a cidade, passando a residir, respectivamente em Mântua, Veneza e Florença, tendo acompanhado em 1.502 o duque Valentino, Cesare Borgia, na campanha de Romagna, atuando como arquiteto e engenheiro militar.
Mona Lisa
De volta a Florença, ele pintou (até 1.506) seu mais famoso quadro, o retrato de Madonna Lisa Del Giocondo (a Gioconda), mais conhecido por “Mona Lisa” e também “A Batalha de Anghiari”, na sala do Grande Conselho onde Michelangelo pintou na mesma época “A Batalha de Cascina”. Isso provocou uma certa rivalidade entre os dois artistas (as duas obras permaneceram inacabadas).
Em 1.507, aos 55 anos, Leonardo, solicitado pelo rei Luis XII, retornou a Milão onde permaneceu até 1.513, partindo posteriormente para Roma, onde morou com o irmão do Papa Leão X, Giuliano de Médici até a morte deste em 1.516 – nessa época uma paralisia imobilizara seu braço e sua perna direita, impossibilitando-o de pintar.
Possível auto-retrato
Mesmo enfermo, Leonardo da Vinci foi chamado por Francisco I, novo rei da França, para residir naquele país. Ao aceitar, Leonardo foi nomeado primeiro-pintor, engenheiro e arquiteto real e ganhou o Castelo de Cloux, próximo a Ambroise.
Três anos depois, na noite de 2 para 3 de maio de 1.519, aos 67 anos, Leonardo da Vinci morreu ao lado de seu fiel discípulo Francesco Melzi, deixando para ele todos os seus estudos como herança.
Dentre as suas principais invenções destacam-se:  a laminadora, os rolamentos de rolo, a câmara escura (três séculos antes da invenção da fotografia), além de projetos que anteciparam a invenção do escafandro, do helicóptero e do paraquedas (uma das maiores obsessões de Leonardo Da Vinci foi o desejo de voar).


Texto: Renato Curse                 julho de 2.001


(Este texto foi publicado na edição # 36 do Informativo Mix Cultural, de 14 de julho de 2.001)




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