23.3.13

Homenagem a Heitor, o maior artilheiro do Palestra Italia / Palmeiras



Ettore Marcelino Domingues (São Paulo, 20 de dezembro de 1898 - São Paulo, 02 de fevereiro de 1978) - chamado Heitor - foi um futebolista brasileiro que atuava como atacante.
Foi um dos mais importantes jogadores da história do Palmeiras, sendo até os dias atuais o maior goleador dessa equipe.

Filho de espanhóis, Ettore Marcelino Domingues começou a jogar no quadro infantil do Colégio Santo Alberto e depois no Colégio do Carmo, onde estudava. Em 1915 começou a disputar os torneios oficiais pelo segundo quadro do Sport Clube Americano, clube extinto fundado originalmente na cidade de Santos que acabou mudando sua sede para a capital, e no ano seguinte, 1916, passou para o primeiro quadro. Ainda em 1916 passou a atuar pelo Palestra Italia, onde se tornou titular absoluto e destacou-se pela força física e pela capacidade de finalização, levando-o em poucos meses à Seleção Brasileira de Futebol, marcando gol em sua estreia, no dia 13 de maio de 1917.


Biografia
O paulistano Ettore Marcelino Domingues – que viria a ser chamado de “Heitor” pela torcida que defenderia por tantos anos – começou a se destacar cedo. Este filho de imigrantes espanhóis debutou no futebol “de primeiro quadro”, como se dizia dos times principais, em 1916, pelo extinto bicampeão paulista SC Americano. Naquele mesmo ano, porém, juntou-se às fileiras do jovem Palestra Italia, e de lá só sairia quinze anos depois, multi-campeão e maior artilheiro da história do clube, status que mantém até hoje. Símbolo de amor ao esporte e a uma instituição, marcou toda uma geração palestrina dos anos 20 e 30.
Rivalizou a popularidade com o genial Friedenreich – o qual era grande amigo - e com ele fez dupla nas seleções e combinados paulista e brasileiro da época. Mantinha a fisionomia sempre alegre. Esta mesma alegria dividia com a gente esmeraldina a cada gol ou conquista alcançada pelo seu clube. Palestra Italia e Heitor se confundiam no início dos tempos. Era uma simbiose. Suas qualidades não se restringiam apenas ao esporte das multidões. Em sua história reservou espaço também para a prática do Tênis de Mesa, Voleibol, Atletismo e Basquete todos vestindo a camisa alviverde.


Carreira
Heitor estreou pelo Palestra Italia em Campinas, em um amistoso contra o Guarani. Mas naquele 12 de novembro de 1916, o placar não saiu do zero. Somente em sua terceira partida, amistoso em Santos contra o Brasil local, ele iria às redes pela primeira vez, na vitória por 2 a 1 em 25 de março de 1917.
A força, velocidade e habilidade do rapaz de 18 anos chamaram a atenção até mesmo da Seleção Brasileira. Em 13 de maio deste mesmo ano de 1917, ele se tornou o primeiro palestrino a atuar pelo escrete nacional, no amistoso contra o Sportivo Barracas (2×1), da Argentina. De quebra, ao anotar o gol que abriu o placar, se tornou o primeiro atleta de nosso time a marcar pelo selecionado brasileiro.
Heitor na Seleção Brasileira em 1919
Sua carreira continuou prolífica, e assim Heitor foi convocado (junto com seu companheiro Bianco) para disputar o Campeonato Sul-Americano de Seleções (a atual Copa América), em 1919. Desta forma, foi campeão do primeiro grande título de nossa Seleção, com direito a participar do gol decisivo – uma cabeçada sua deu rebote, aproveitada por Friedenreich. Posteriormente Heitor também venceria a edição de 1922 e, em 1929, chegou a atuar no gol em um amistoso contra os uruguaios do Rampla Juniors, por uma contusão do goleiro Jaguaré, Heitor defendeu o gol brasileiro nos últimos minutos, sem sofrer nenhum gol. Sua última partida pelo time nacional foi em 1930: 3 a 2 sobre a França, com dois gols seus. No geral, foram 11 partidas e 4 gols vestindo branco (a cor da Seleção Brasileira na época).

Faltavam as conquistas pelo Palestra, mas a primeira não tardou a vir: foi o Paulista de 1920, o primeiro de nossa longa lista. Durante a campanha, ele marcou seis gols na goleada de 11 a 0 sobre o SC Internacional - recorde individual na história do Verdão, tornando-se o jogador que marcou o maior número de gols numa só partida, o qual permanece insuperável até hoje.
O título de 1920 não foi seu único: Heitor levantaria também as taças de 1926, marcando 4 gols na partida decisiva (7×1 contra o Sílex), e 1927. Conquistou ainda o Paulista extra de 1926, o Torneio Início de 1927 e a Taça de Campeões Rio-São Paulo de 1926. Como se não bastasse, foi bi-campeão paulista de basquete, em 1928 e 1929. Em 1928 conseguiu um feito notável: artilheiro do campeonato paulista daquele ano, no intervalo entre os jogos, treinava e atuava na equipe de basquete do clube, levando-a à conquista do campeonato estadual de basquete de 1928.
Foi artilheiro do Estadual duas vezes: em 1926 (com seu companheiro Domingues e Filó, do Paulistano) e em 1928. É também o maior artilheiro verde nos Derbys (confronto Palmeiras x Corinthians), com 14 gols.
A última de suas 358 partidas pelo Palestra Italia ocorreu em 3 de janeiro de 1932, na vitória por 5 a 2 sobre o Germânia, pelo Campeonato Paulista. Heitor se despediria da forma como deixou gravada sua passagem pelo clube: com seu 327º gol marcado.



Árbitro de futebol
Aposentado dos gramados como jogador, Heitor manteve-se dentro dos estádios em nova função: árbitro de futebol. Pois é, e dos bons: apitou até decisão de Paulista, em 1935. Também fez parte da inauguração do Pacaembu: apitou as duas partidas que nos deram o título da Taça Cidade de São Paulo, torneio que teve como palco o novo Estádio Municipal (Palestra Italia 6 x 2 Coritiba e Palestra Italia 2 x 1 Corinthians). Inaugurou também o romântico Estádio Conde Rodolfo Crespi, a famosa Rua Javari, do Clube Atlético Juventus. Heitor apitou 73 partidas do Campeonato Paulista.



Primeiro ídolo palestrino
Sem dúvida alguma, Heitor foi um personagem único. Um multiesportista dos mais respeitados. Marcou 327 gols com a camisa alviverde em 358 jogos disputados. Foi um dos primeiros ídolos da torcida palestrina e responsável pelas grandes conquistas alviverdes. Foi titular da Seleção Paulista de Futebol de 1917 à 1930. Atuou pela Seleção Brasileira e foi decisivo nas conquistas dos Campeonatos Sul-Americanos de 1919 e 1922. Foi seu o primeiro gol na história do Estádio Palestra Itália, tendo o Palestra como seu proprietário. Em 1923, Heitor registra um recorde no futebol paulista, tornando-se o jogador a fazer o maior número de gols numa única partida vestindo a camisa da Seleção Paulista, ao marcar sete gols diante da Seleção do Paraná, o qual permanece até hoje.
Nosso grande artilheiro se foi em 21 de setembro de 1972*, aos 73 anos; poucos dias antes o Palmeiras havia levantado o título paulista daquele ano. Heitor pôde despedir-se vendo seu Palmeiras, que ele tanto ajudou a ser grande, seguindo sua senda de vitórias.
* Heitor morreu em 02 de fevereiro de 1978, aos 89 anos




Recordes
- Heitor é recordista absoluto em gols anotados pelo Palestra Italia: 327. 

- Possui também o recorde de mais gols marcados em um único jogo (6 gols) em 08 de agosto de 1920, numa goleada de 11 a 0 contra o SC Internacional de São Paulo. Recorde que permanece até hoje. Além disso, marcou 5 gols em um único jogo em 2 oportunidades. 

- É o jogador palestrino que mais gols anotou no Campeonato Paulista; ao todo Heitor marcou 170 gols em jogos válidos pelo  Paulistão.

- É o 20º jogador que mais vestiu a camisa do Palmeiras, com 358 jogos. 

- É o 3º jogador mais jovem a marcar um gol pelo Palestra Italia/Palmeiras, fazendo gol com 17 anos, 11 meses e 13 dias. Perde para Mazzola (17 anos, 6 meses e 5 dias) e Vinícius (17 anos, 7 meses e 6 dias). 

- Foi o mais jovem (18 anos), a vestir e marcar um gol com a camisa da Seleção Brasileira de futebol. 

- Fez o 1º gol na história do Estádio Palestra Itália, tendo o Palestra como seu proprietário.




Títulos
Palmeiras - Futebol (Principais Títulos)
 Campeonato Paulista: 1920, 1926, 1926 Extra e 1927.
 Torneio Início do Campeonato Paulista: 1927.
  Copa dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo: 1926.



Palmeiras - Basquete
Campeão Paulista: 1928 e 1929
Taça AASP: 1928


Seleção Brasileira
 Campeonato Sul-Americano: 1919 e 1922.




Estatísticas
Partidas pelo Palmeiras: 358
Gols pelo Palmeiras: 327 (recordista do clube)
Partidas pela Seleção: 11
Gols pela Seleção: 4
Média de gols: 0,91 gols por jogo
Maior artilheiro do Estádio Palestra Italia: 185 gols


Fonte: Porcopédia  




Cronologia   

1898 – nasce na cidade de São Paulo, Heitor Marcelino Domingues. 
Na infância, começa a jogar futebol no quadro infantil no Colégio Santo Alberto e depois no Colégio do Carmo, onde estudava.

1915 – aos 17 anos, começa a jogar no 2º quadro do Sport Club Americano, time da capital paulista.

1916 – aos 18 anos, passa a atuar no 1º quadro do Americano e logo depois se transfere para o Palestra Italia.

1916 – estreia pelo Palestra em partida amistosa, em 12 de novembro, contra o Guarani de Campinas (Palestra Italia 0 x 0 Guarani)

1917 – é o primeiro palestrino convocado à Seleção Brasileira. Logo na estreia, faz um gol na vitória contra o Barracas da Argentina, em jogo amistoso (Brasil 2 x 1 Barracas)

1918 - marca o primeiro gol da história do Estádio da Ponte Grande que pertencia ao S. C. Corinthians, em sua inauguração.

1919 – rival de Arthur Friedenreich em São Paulo, faz grande dupla de ataque no Campeonato Sul-Americano, disputado no Estádio das Laranjeiras (RJ), que fora especialmente construído para a competição. Marca 1 gol em 3 jogos disputados.

1919 - participa da partida de Inauguração do Estádio da Rua Cesário Ramalho, pertencente ao União Recreativa do Cambucy

1920 - participa da partida de Inauguração do Campo do Artes Gráficas localizado na Av. Rodrigues Alves

1920 - marca, de cabeça, o primeiro gol na história do Estádio Palestra Italia, tendo o Palestra como seu proprietário

1920 - marca seis gols e registra um recorde individual na história do Palestra Italia, tornando-se o jogador que marcou o maior número de gols numa só partida (11×0 no Sport Club Internacional da capital), o qual permanece insuperável até hoje

1920 – comanda o Palestra para o seu primeiro campeonato paulista, batendo na final o Paulistano de Friedenreich. 

1922 – é bi-campeão Sul-Americano pela Seleção Brasileira, participando de 3 jogos.

1925 - participa da primeira partida do Palestra Italia no exterior

1925 - É Inaugurado um retrato de Heitor na sede do Palestra Italia, por sua diretoria, em homenagem aos bons serviços prestados ao clube

1926 - ajuda o Palestra Italia a conquistar seu 2.o título Paulista

1926 - é o artilheiro máximo do Campeonato Paulista (13 gols)

1926 - campeão da Taça Campeões entre RJ e SP, batendo o São Cristóvão (campeão carioca) por 3×0.

1927 - bi-campeão paulista pelo Palestra Italia. Ganha também o Torneio Extra.

1927 - Heitor e seus companheiros palestrinos vencem pela primeira vez a Tríplice Coroa

1927 - Heitor é o cestinha de uma partida de basquete, pela primeira vez, ao anotar 7 pontos diante do C.A. Ypiranga, pelo Campeonato Paulista de Segundo Quadros

1928 – artilheiro do Paulista com 16 gols. No intervalo dos jogos, Heitor treinava com a equipe de basquete. Conseguiu ser Campeão Paulista de Basquete também.

1928 - Heitor é o primeiro atleta da capital de São Paulo a vencer o Campeonato da Cidade por duas modalidades diferentes: Futebol (1920, 1926, 1927) e Basquete (1928 e 1929).

1928 - Heitor joga a Primeira partida internacional de basquete realizada no Estado de São Paulo, defendendo a equipe do Palestra Italia diante do Peñarol Universitário do Uruguai

1931 - Heitor marca o gol de número 327 com a camisa do Palestra Italia, o último de sua gloriosa carreira como atleta semi-profissional

1931 - Heitor encerra a carreira como jogador de futebol (faz sua última partida pelo Palestra Italia dia 6 de dezembro)

1932 – volta ao Americano para jogar mais alguns amistosos.

1935 – como árbitro, apita a final do Campeonato Paulista entre Santos x Corinthians.

1940 – apitou a partida inaugural do Pacaembú entre Palestra Italia e Coritiba, com a vitória do time paulista por 6×2. Com rodada dupla, o Corinthians venceu o outro jogo, contra Atlético/MG por 4×2. Os vencedores disputaram em 5 de maio a Taça Cidade de São Paulo, vencida pelo Palestra por 2×1.

1978 – aos 89 anos, morre em São Paulo, o maior artilheiro da história do Palestra Italia/Palmeiras.



Fonte: Almanaque do Palmeiras (de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti), Site Palestrinos e acervo pessoal (muitos divulgam equivocadamente que Heitor morreu em 1972)






Conquistas: 
Títulos e Troféus
1917 Taça Comendador Caetano Pepe
1917 Festival Santos-Pró Pátria
1917 Taça José Castelhano
1917 Troféu Café Java
1917 Taça Henrique Catalano
1917 Taça Amyris
1917 Taça Luciano
1817 Medalha de Revelação do Campeonato Paulista
1918 Campeão Honorário do Brasil
1918 Taça Jornal do Commércio
1918 Troféu da Associação dos Chronistas Sportivos
1918 Torneio de Outono
1918 Taça Caridade
1918 Taça Nociti
1918 Taça Campinas
1918 Taça Initium
1918 Troféu América Paulista
1918 Taça Diário Popular
1918 Taça Touring
1918 Taça Nico
1918 Taça Falchi
1918 Troféu Frederico Steidell
1918 Taça Stadium Paulista
1918 Taça Sudan
1918 Taça Colonia Italiana
1918 Taça de Prata
1919 Campeão do Primeiro Turno do Campeonato Paulista
1919 Taça Cruz Vermelha Brasileira
1919 Taça Henrique Mortari
1919 Taça Montenegro
1919 Taça Pinoni
1919 Taça Olavo Bilac
1919 Taça Gennaro Falci
1919 Taça Castelões
1919 Taça Confraternização dos Povos
1919 Taça Circolo Italiano Uniti
1920 Campeão Paulista
1920 Campeão do Primeiro Turno do Campeonato Paulista
1920 Taça Pietro Ruggeri
1920 Taça Matarazzo
1920 Taça Benedito Montenegro
1920 Taça Holmberg Bech
1920 Taça Charitas
1920 Taça São Paulo Sportivo
1920 Taça Rio de Janeiro
1920 Taça Mendicidade
1921 Taça Unioni dei Viaggiatori Italiani
1921 Taça Catalani
1921 Taça Societa Italiana di Mutuo Soccorso
1921 Taça Mogyana
1921 Taça Casa Roque de Marco
1921 Taça Dr. Machado Lima
1921 Taça Circolo Italiano de Ribeirão Preto
1922 Taça Guarani
1922 Taça Botafogo
1922 Taça Concórdia
1922 Taça Itapira
1922 Taça Piccotti
1922 Taça Societá Italiana di Beneficenza
1923 Taça Orminda O'Valle
1923 Taça Zezé Leone
1923 Taça Attilio Narâncio
1924 Taça Maternidade de São Carlos
1924 Taça David Picchetti
1924 Taça Cavalheiro De Vivo
1924 Taça Centenário de São João
1924 Taça Amílcar Barbuy
1924 Taça Joaquim F. Bicudo
1924 Taça Elpídio de Paiva Azevedo
1924 Taça King
1924 Taça Palmeiras
1924 Taça Guazzelli
1924 Taça Altivez
1924 Taça Conde Matarazzo
1925 Taça São Bento
1925 Taça Delphim Braga
1925 Taça Prefeitura de São Paulo
1925 Taça Omaggio Del Circolo Italiano De Montevideo
1926 Campeão Paulista - Invicto
1926 Campeão Paulista Extra - Invicto
1926 Taça Ballor
1926 Campeão Brasileiro CBD - Torneio de Campeões SP-RJ
1926 Taça Fiat
1926 Taça Colônia Gaúcha
1927 Campeão do Torneio Início do Campeonato Paulista
1927 Campeão Paulista
1927 Taça Kfouri
1927 Taça Sul-América
1927 Taça Sociedade Italiana Cesare Baptisti
1927 Taça Umberto Delboni
1927 Taça A Preferida
1927 Troféu Lúcio Veiga
1928 Taça Ballor
1928 Taça Botucatu
1928 Taça Prefeitura de  Jaú
1928 Taça Luso-Italiana
1928 Taça Marquez de Pinedo
1929 Taça Conde Matarazzo
1929 Taça J. Dias Caputo
1929 Taça Associazone Generalli
1930 Campeão do Torneio Início do Campeonato Paulista
1930 Taça Humberto I
1930 Taça Dr. Júlio Prestes
1930 Taça Presidente Hoover
1930 Troféu Lineu Prestes
1930 Taça Amizade
1930 Taça Neon Brasil
1931 Taça Luiz Astorri
1931 Taça Pino Hauzer
1931 Taça 14 de Julho
1931 Taça Diário Nacional
1931 Festival de Aniversário do Syrio
1931 Torneio Estadual Pró-Estádio
1931 Medalha do Festival em benefício das obras da catedral de São Paulo (Combinado Palestra Italia/São Paulo da Floresta)



Conquistas de Heitor no Basquete:
 1928... Campeão Paulista
 1928... Taça AASP
 1929... Campeão Paulista





Eternizar-se no coração de um povo. Ettore Marcelino Domingues – popularmente conhecido como Heitor – conseguiu este objetivo. Exemplo de disciplina, dedicação e superação, perpetua-se há quase um século como o maior artilheiro da história de uma das principais equipes de futebol do mundo o Palestra Italia-Palmeiras. Símbolo de amor ao esporte e a uma instituição. Marcou toda uma geração palestrina dos anos 20 e 30. Rivalizou a popularidade com o genial Friedenreich – o qual era grande amigo - e com ele fez dupla nas seleções e combinados paulista e brasileiro da época. Mantinha a fisionomia sempre alegre. Esta mesma alegria dividia com a gente esmeraldina a cada gol ou conquista alcançada pelo seu clube. Quando o “onze” de Heitor entrava em campo, a geral vinha abaixo. Palestra Italia e Heitor se confundiam no início dos tempos. Era uma simbiose. Era a expressão de um sentimento materializado em forma de jogador. Suas qualidades não se restringiam apenas ao esporte das multidões. Em sua história reservou espaço também para a prática do Tênis de Mesa, Voleibol e Basquete todos vestindo a camisa alviverde, bem como dedicou-se a ingrata função de juiz de futebol. Neste âmbito, devido a sua seriedade e qualidade na condução do jogo, foi escolhido para arbitrar a partida inaugural do charmoso e eterno Estádio Municipal do Pacaembu. Inaugurou também o romântico Estádio Conde Rodolfo Crespi, do Clube Atlético Juventus, na italianíssima e querida Mooca, entre outros feitos. Sem dúvida alguma, Heitor foi um personagem único. Um multi-esportista dos mais respeitados.
Texto: Fernando Galuppo
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O Guerreiro do Palestra

“Valente, bravo e destemido guerreiro do Palestra Italia – Palmeiras e do Brasil. Um dos melhores atacantes do mundo em todos os tempos. Habilidoso, técnico e preciso, todos os adversários temiam a sua fúria de  guerreiro fogoso. O primeiro goleador que abriu as portas do Palestra Italia para o mundo.

Descendente de espanhóis e italianos que foi o símbolo maior e mais brilhante dos ítalos-brasileiros, que proclamaram em São Paulo a independência do Palestra Italia na América do Sul e no mundo.

“Ettore” como era chamado carinhosamente pelos italianos, foi uma fortaleza inteligente e sutil preparado para destruir os rascistas psicopatas que tentavam menosprezar a cultura da imigração italiana no Brasil.

Excelente cabeceador, veloz nas arrancadas curtas e longas, driblava em “zigue-zague” e possuía força e equilíbrio nas disputas corpo-a-corpo com os zagueiros inimigos. Heitor era puro instinto e adrenalina. Seu chute com ambas as pernas era forte e colocado. Atento e familiarizado com o descortinamento do jogo, seu sentido de colocação e localização na área era fabuloso. Ele dominava, criava e recriava espaços.

Seu futebol era tão grande e completo, que parecia um foguete disparado, destinado a viagens espaciais interplanetárias, moldando a idéia do tempo e das pessoas.

Craque genial, diziam os torcedores do Palestra Italia que Heitor possuia nas veias o sangue dos legionários romanos que conquistaram o mundo.

Heitor foi o maior artilheiro do Palestra-Palmeiras, anotando mais de 300 gols com a camisa do clube, mas é bem provável, de acordo com depoimentos da época , que ele tivesse ultrapassado os 600 tentos. Jogador com sede de vitórias, conquistou por quatro vezes o tão difícil e disputado Campeonato Paulista, em 1920, 1926, 1926 (extra) e 1927, o Campeonato Estadual em 1926 e 1927, o Campeonato Honorário Brasileiro, em 1926, e quatro vezes o Campeonato Brasileiro de seleções por São Paulo, em 1922, 1923, 1926 e 1929, entre outros.

Ao lado do grandioso Bianco, foi o primeiro jogador do Palestra Italia que foi convocado para a seleção Brasileira, vencendo brilhantemente o Sul-Americano de 1919, no Brasil,  que teve a importância de um título mundial para a nação.

Heitor formou a lado do estupendo Neco e do genial Friedenreich, um dos melhores trios de meia-atacantes da história do futebol mundial em todos os tempos. Como era belíssimo assistir as tabelas e triangulações realizadas pelos três mágicos da bola.
“Ettore” foi duas vezes artilheiro máximo do campeonato paulista em 1926 e 1928.

Seu olhar, sua garra e seu talento fulminavam os zagueiros que o perseguiam em campo. Detonador de defesas, infiltrava-se como se fosse um guardião iluminado nas trincheiras inimigas. Tão craque que ele conseguia fazer o povo brasileiro entender todas as formas criativas de culturas.

Foi um transformador evolutivo de todos os modos e formas de categorias e estilos que começavam  a nascer nos campos de futebol de todo o Brasil.

Heitor era um matador sentimental. Um Deus humilde a serviço da teogonia mundial. Criador com a sua arte, dos sonhos, dos destinos e das sagradas contendas do futebol brasileiro.

Puro e digno rival do genial Arthur Friedenreich, Heitor tinha dois apelidos carinhosos “orgulho italiano” e “fibra de valente”.
Querido e amado por todos, ele sempre assumiu responsabilidades ao longo da carreira e da vida.

Amou o futebol e nunca aceitou dinheiro para entrar em campo. Dizia que o dinheiro manchava a honra e o espírito do futebol.
Heitor amou o Palestra Italia-Palmeiras como se o clube fosse o prosseguimento de sua própria família, atuando de 1916 a 1931.
No Palestra atuou ao lado de grandes craques, tais como: Bianco, Imparato, Xingo, Amílcar, Serafini, Tedesco, Primo, etc.

Jogador que chorava , brigava e morria pelo Palestra. Não media consequências e entregava-se totalmente. Era integral, perfeito e total. O campo de futebol e principalmente a grande área eram a sua arena de vida ou morte. Diferente e maravilhoso, sua vontade na luta pelo seu ideal comovia a todos. Heitor conseguia romper os vínculos positivistas e burgueses da história antiga, média, moderna e contemporânea. Fazia da sua luta pessoal em campo, uma batalha épica, com um novo sentido e um novo modo de entendimento e de aceitação.
 Heitor na Seleção Paulista

Heitor na Seleção Brasileira
Heitor possuia  um futebol tão talentoso, abrangente e forte que fazia lembrar grandes teatrólogos da Grécia Antiga, como: Ésquilo (525 a 456 a.C.), Sófocles (496 a 406 a.C.) e Eurípedes (480 a 406 a.C.). Monumental e inigualável, seu futebol revelava uma consciência corporal e uma inteligência superior que não permitiam o nivelamento por baixo, tanto espiritual como artístico do homem. Heitor era protetor da decência, da moral, da arte e da simplicidade.

Conhecedor, criador e inovador de todas as complexidades da vida na terra, ele conseguiu unir dois povos irmãos, os italianos e os brasileiros em um único sentimento, o de amor ao futebol.

Heitor foi o idealizador e o controlador do tempo, das horas  e do batimento cardíaco no futebol brasileiro. Criava sem fabricar, amava sem pensar, lutava sem temer. Deu a vida pelo Palestra Italia, pela Seleção Paulista e pelo selecionado nacional.
Heitor existiu e sempre existirá e seu futebol era infinitamente perfeito.

Grande homem e companheiro, foi um modelo, um exemplo e um símbolo.

Foi um Rei, um mito e uma das maiores e mais gloriosas legendas do futebol mundial em todos os tempos.

Salve, Heitor! Viva, Heitor!”

Texto: Luciano Ubirajara Nassar
 professor de história, geografia, filosofia e escritor
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“O tempo só não apaga aquilo que é construído com grandeza e luminosidade.
Heitor Marcelino escreveu seu nome com letras douradas no livro da eternidade.
Afirmam os espíritos românticos que a magia do seu futebol arrebatava multidões e transformava o Palestra Itália num time dos sonhos.
Foi o primeiro grande ídolo da torcida palestrina que conseguiu reunir em sua arte o instinto goleador e a técnica dos jogadores cerebrais.
Hoje, vestindo o manto da seleção do céu continua a desfilar sua classe nos jardins da imortalidade, carregado em triunfo por multidões  entusiastas de anjos pelas alamedas da Glória, mas conservando em seu coração a humildade dos gênios e a serenidade das almas vencedoras.”
Texto: Henrique Campi Neto – Historiador de Futebol

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“A Gazeta” em 8 de julho de 1931, por Thomaz Mazzoni
Heitor e Thomaz Mazzoni
“Não se compreende o Palestra sem Heitor. Quando a turma fracassa, “naufraga” também o seu velho jogador; quando brilha, Heitor joga como ele só o sabe fazer.  O Palestra é manhoso e inconstante, como Heitor.  Se este está de... mau humor, a turma faz o mesmo; se está disposto a brilhar, o quadro todo faz coisa do arco da velha. Heitor joga mal, todos atiram contra ele, condenam-no, imploram da direção esportiva que lhe envie o b “bilhete azul”, enfim, diante da decepção que causa, não querem mais saber dele. Heitor é afastado, para a... felicidade da turma e de todos...
O Palestra entra em campo, sem o veterano jogador e... nada faz. Todos gritam contra a exclusão de Heitor; todos juram que não desejaram a sua saída! E, um prélio depois, lá aparece o manhoso, disposto a levar a sério o jogo.  Todos ficaram satisfeitos, por que Heitor, que quando quer sabe se reabilitar, faz manchar direitinho o “onze”. Assim, de fato é o que acontece. Essa história de “tira e ponha”, com o veterano campeão, é muito velha. Começou em 1923, se não nos falha a memória.
Imaginem pois: há oito anos passados Heitor já fora ‘barrado”, para “ser substituído por um jogador de mais futuro, mais entusiasmo...” O substituto, porém, não ‘foi lá das pernas” e cedeu novamente o posto à Heitor, logo que a turma não jogou bem, talvez logo na primeira vez que um dos que ao surgirem, “parou” Heitor.

Fonte: Palestrinos 







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