3.9.11

Sentada à beira da estrada


Sentada à beira da estrada...

Era linda, maravilhosamente linda, incontestavelmente encantadora e 
cativante pelos mistérios que seu olhar transmitia;
olhar que conseguia atrair
todos os olhares para sua direção.


Sentada à beira da estrada...
Era sempre assim, mas, ninguém, por mais que forjasse ideias 
podia imaginar o que de verdade aquele olhar queria transmitir; 
olhar que fitava atento algo que ninguém sabia ao certo.   
Para muitos, o olhar fitava atento o nada.


Sentada à beira da estrada...
Era fascinante com todo seu mistério e beleza.    
Muitos até tentaram um diálogo com ela, desejando qualquer 
tipo de resposta, mesmo que negativa,
porém, sempre ficava claro que ela preferia dialogar com o nada, 
o nada que ela sempre olhava.


Sentada à beira da estrada...
Não era mais ela, não era mais dona de tanta beleza e formosura, 
seu olhar não tinha mais aquele toque envolto a sedução e ao mistério. 
     
Dizem que, dias atrás, uma bela moça levantou-se de onde estava sentada e, 
olhando para o nada, resolveu atravessar a estrada.

O que levou-a a se levantar e caminhar para o nada 
será para sempre um mistério.

Ela foi atropelada, arremessada a vários metros, caindo 
morta à beira da estrada.


Morta à beira da estrada...


Renato Curse                    01 de outubro de 2001


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